A crescente adoção de práticas sustentáveis de produção tem se consolidado como um diferencial competitivo, permitindo aos produtores rurais mineiros o acesso a novos mercados, além de gerar ganhos financeiros e de produtividade. Para atender a essa demanda em evolução do agronegócio e apoiar a implantação dessas inovações, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) criou e lançou a linha de crédito BDMG Verde Agro.

A proposta central dessa nova linha é financiar uma vasta gama de iniciativas que agregam valor, modernizam as operações e garantem as certificações necessárias para quem produz de forma sustentável. Entre os projetos financiáveis estão: a recuperação de pastagens degradadas, o investimento em tecnologias da agricultura 4.0, a aquisição de equipamentos de ponta e outras ações que promovem a sustentabilidade no campo. O lançamento do BDMG Verde Agro faz parte da agenda climática do Governo de Minas e reforça a preparação do estado para a COP30.

Um dos grandes diferenciais do novo financiamento, que está disponível tanto para produtores rurais quanto para cooperativas de produção, é o prazo de pagamento estendido: até 12 anos, incluindo um período de até 2 anos de carência. Este prazo é o mais longo atualmente oferecido no mercado de crédito agropecuário com foco em sustentabilidade. As condições são atrativas, com taxas de juros a partir de 1,4% ao ano + Selic. “O longo prazo de carência e pagamento reflete o compromisso com investimentos de ciclo de maturação mais longo”.

Outra novidade é que a linha BDMG Verde Agro reúne uma gama ampla e flexível de projetos de investimento e equipamentos. Entre os itens financiáveis estão tecnologias de última geração, como aquelas voltadas para o monitoramento climático, controle biológico de pragas e redução de desperdícios; o manejo regenerativo do solo; a implantação de biofábricas próprias nas fazendas; projetos de agricultura de baixo carbono, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF); e sistemas de geração e distribuição de energia limpa para consumo próprio, como a energia de biomassa, entre outros.

O presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto, enfatiza a importância estratégica da iniciativa. “A transição para a agricultura sustentável e resiliente é um investimento crucial para quem projeta crescer no mercado nacional e internacional. O Verde Agro atende esse setor que busca por modernização. Com tecnologia e práticas sustentáveis é possível avançar em produtividade e se posicionar de forma estratégica diante das mudanças climáticas”, afirma.

O secretário de Estado Adjunto de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), Frederico Amaral, destacou a relevância do programa para a economia mineira. “O BDMG Verde Agro é um marco na transformação do agronegócio mineiro. Ao incentivar práticas sustentáveis e tecnologias de ponta, estamos ajudando o produtor rural a crescer de forma inovadora e consciente”, disse. Ele concluiu que “Minas mostra, mais uma vez, que é possível produzir mais, gerar oportunidades e proteger o meio ambiente ao mesmo tempo”.

O BDMG já oferecia outras linhas para financiar iniciativas sustentáveis no agronegócio, a exemplo do Renovagro no Plano Safra. Contudo, a criação do BDMG Verde Agro expande os itens financiáveis e estabelece um produto mais flexível e abrangente.

Um caso de sucesso que ilustra o potencial dessas práticas é o do Grupo Gran Milho, cuja produção sustentável resultou na abertura de novos mercados e no crescimento significativo do faturamento. O grupo cultiva soja, milho, sorgo, laranja, batata, feijão e trigo nas cidades de Ibiá e Araxá, na região do Alto Paranaíba, e comercializa sua produção com os maiores players do agronegócio de exportação do país.

O sócio-diretor Antônio Castro relata que, com o apoio do BDMG, o Grupo Gran Milho realizou a proteção de nascentes, o que não apenas aumentou o volume de água disponível, mas também expandiu a produtividade das lavouras. O crédito do BDMG foi fundamental para o investimento em recuperação de pastagens e na proteção de encostas e nascentes, resultando em um maior volume de água nas fazendas e em um produto com valor agregado superior, graças às práticas sustentáveis.

A nossa visão é de produzir com sustentabilidade e inovação. Dessa forma, aumentamos a produção e conseguimos certificações que nos credenciam para atender as grandes trends do agro”, afirma Antônio Castro. “O nosso crescimento repercute em mais empregos e oportunidades em toda região”. Os negócios da Gran Milho incluem, ainda, pecuária de alta performance e atividades de armazenamento e comercialização de grãos. Segundo Castro, a agricultura regenerativa permite ao grupo acessar crédito com taxas reduzidas, como no caso do BDMG, que oferece condições diferenciadas para projetos sustentáveis.

Os sócios da Agropecuária Canabarro também estão colhendo os resultados positivos da adoção de práticas sustentáveis. A produção de soja, milho e cana-de-açúcar da empresa cresceu 10% com o uso de defensivos biológicos e a proteção de reservas legais nas propriedades em Frutal, Uberaba, Monte Alegre de Minas e Comendador Gomes, no Triângulo Mineiro. Com mais de 40 anos de mercado, o plano da empresa é crescer a partir do ganho de produtividade e não do aumento da área plantada, um objetivo que conta com o crédito do BDMG, segundo o sócio Mauri Alves. “A estratégia é intensificar o uso da terra com sustentabilidade, e não expandir a área”.

“Criamos uma On Farm para fabricar nossos bioinsumos. Atualmente, precisamos fazer poucos ajustes depois de plantarmos, porque o solo é mais saudável e produtivo”, afirma Alves. A produção anual da Agropecuária Canabarro atinge 800 mil toneladas de cana-de-açúcar, 300 mil sacas de soja e 150 mil sacas de milho, demonstrando a viabilidade econômica da agricultura sustentável.

Foto: Divulgação


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