Indicado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para prestar assistência espiritual na Superintendência da Polícia Federal, o bispo Robson Rodovalho afirmou que pretende conduzir orações, leituras bíblicas e momentos de meditação caso o pedido seja autorizado pelo Supremo Tribunal Federal. Fundador da igreja Sara Nossa Terra, Rodovalho disse que recebeu a indicação com sentimento de honra e destacou a relação pessoal construída ao longo de décadas com o ex-chefe do Executivo.
Em entrevista, o bispo ressaltou a proximidade com Bolsonaro e lembrou que a amizade teve início ainda no período em que ambos atuaram como deputados federais. “Bolsonaro é gente querida, amada, que tem muito carinho com a gente. Somos amigos há mais de vinte e cinco anos, desde quando fomos deputados juntos”, afirmou, ao comentar a possibilidade de acompanhar espiritualmente o ex-presidente durante o cumprimento da pena.
As declarações ocorreram após o ministro Alexandre de Moraes determinar que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre pedidos apresentados pela defesa de Bolsonaro. Além da assistência religiosa, os advogados solicitaram remição de pena por leitura, autorização para acesso a uma televisão na cela e acompanhamento espiritual regular. O prazo concedido à PGR para se posicionar sobre os requerimentos é de cinco dias.
Rodovalho afirmou que, até o momento, não houve contato direto para tratar da logística da eventual assistência espiritual. Segundo ele, qualquer iniciativa depende de autorização judicial expressa e do cumprimento rigoroso das regras estabelecidas. “Ainda não fui procurado pela defesa ou pela família do ex-presidente. Tenho muita liberdade para isso, mas estou respeitando as regras e diretrizes. Estamos orando muito por ele”, disse.
O bispo explicou que a assistência espiritual não segue um formato rígido e costuma ser adaptada às condições emocionais e físicas da pessoa acompanhada. De acordo com Rodovalho, o trabalho envolve práticas religiosas voltadas ao fortalecimento interior, com foco no equilíbrio emocional e na fé. “A gente monta um programa de leituras bíblicas, orações. Depende muito da situação. O objetivo é levantar a força interior da pessoa, fortalecer emoção, mente e coração”, afirmou.
Segundo ele, a condução das atividades varia conforme o perfil de quem recebe o acompanhamento. “Vai depender muito do aspecto emocional e físico em que ele se encontra. É um trabalho bem ligado à fé”, acrescentou. Rodovalho também disse que a música pode ser utilizada como instrumento de apoio espiritual. “Tem pessoas que gostam muito de música, aí ministramos pela música. Outras preferem a palavra, então fazemos a leitura e a meditação conjunta para fortalecer. Temos que trabalhar a fé”, explicou.
O bispo afirmou ainda que mantém contato com familiares de Bolsonaro. Segundo ele, houve troca recente de mensagens com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o senador Flávio Bolsonaro. Para Rodovalho, esse diálogo reforça o caráter pessoal da indicação, embora a atuação dependa exclusivamente da decisão do Judiciário.
O pedido de assistência religiosa integra um conjunto mais amplo de solicitações feitas pela defesa ao Supremo Tribunal Federal. Entre elas está a inclusão do ex-presidente no programa de remição de pena pela leitura, previsto na Lei de Execução Penal e regulamentado por resolução do Conselho Nacional de Justiça. Pelas regras, cada obra lida e avaliada pode resultar na redução de quatro dias da pena, mediante apresentação de relatório escrito e homologação judicial. A defesa também solicitou autorização para que Bolsonaro tenha acesso a uma Smart TV na cela, com o argumento de que o equipamento permitiria o acompanhamento de conteúdos jornalísticos e informativos.
Foto: Sara Nossa Terra/Reprodução

