A Bolsa brasileira registrou forte alta nesta terça-feira (27) impulsionada por um avanço da Vale, em meio à valorização do minério de ferro no exterior. O Ibovespa encerrou a sessão com alta de 1,57%, aos 131.652 pontos, e a mineradora, que é a empresa de maior peso no índice, subiu 2,70%, segundo dados preliminares.

No câmbio, o dólar recuou 0,97%, fechando o dia cotado a R$ 4,932, enquanto investidores aguardam a divulgação de novos dados econômicos dos Estados Unidos.

Nesta semana, operadores trabalham em modo de espera antes de publicação, na quinta-feira, do índice de preços PCE, o favorito do Federal Reserve para medir a inflação.

Essa leitura virá depois que, recentemente, dados mostraram sinais de resiliência da atividade e da inflação na maior economia do mundo, levando os mercados a adiarem apostas sobre o início do afrouxamento monetário nos EUA.

A alta do minério de ferro também apoiou o real, pois a moeda brasileira é muito sensível aos preços da commodity, que é um dos principais componentes da pauta de exportação nacional.

No cenário local, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acelerou a 0,78% em fevereiro, após marcar 0,31% em janeiro. O resultado foi pressionado pelos reajustes do início do ano letivo na área de educação.

Apesar de ter acelerado, o IPCA-15 ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 0,82%.

De forma geral, a inflação segue controlada, mas há alguns sinais de alerta. Era de se esperar um fevereiro mais pressionado por conta dos reajustes de matrículas no início do ano letivo, aumento do ICMS sobre gasolina e pressão sobre alimentos em domicílio”, diz Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Para o economista, o novo dado não deve impactar o ritmo de cortes de juros planejado pelo Banco Central.

“O mercado acaba reagindo com uma baixa do dólar porque entende que uma leitura inflacionária mais alta no mês de fevereiro, tal como esta, pode servir para que o Banco Central observe com cautela o cenário inflacionário brasileiro e talvez busque reajustar a estratégia para os cortes na taxa básica de juros Selic”, disse Leonel Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

“Essa expectativa, de que o Banco Central possivelmente adotaria um ritmo de cortes mais lentos, é benéfica para o diferencial de juros do Brasil, significa que nós teríamos um rendimento melhor em relação aos países do exterior e contribuiria para a atração de investimentos financeiros, investimentos na renda fixa brasileira”, completou ele.

O BC cortou os juros em 0,50 ponto percentual cinco vezes desde agosto do ano passado, levando a Selic ao nível atual de 11,25% e sinalizando reduções da mesma magnitude para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária.

FOLHAPRESS


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