O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) exaltou em evento em Belo Horizonte, na última segunda, ser contra o aborto, a liberação das drogas e questões de gênero. Os temas são os mesmos levantados por parlamentares da oposição para desviar a atenção dos escândalos e inquéritos contra o aliado. Amanhã (31), ele depõe pela quinta vez para a Polícia Federal, desta vez sobre as joias e os presentes recebidos durante seu mandato.
“É claro que é uma jogada, uma tentativa de desviar de assunto, fazer uma cortina de fumaça”, afirmou Rogério Correia (PT-MG), deputado federal.
Bolsonaristas têm falado cada vez mais sobre pautas de costumes enquanto silenciam sobre as investigações contra o ex-presidente. Eles veem uma “flexibilização” do aborto, do uso de drogas e de questões de gênero.
Governistas avaliam isso esse bombardeio contra temas em discussão no STF (Supremo Tribunal Federal) e no Congresso como uma estratégia.
“A inclusão de temas de costumes em momentos de crise é uma tática antiga usada pelo bolsonarismo desde as crises da gestão Jair Bolsonaro na Presidência”, diz o deputado federal Duarte Jr. (PSB-MA).
Mas ele vê a sociedade e a imprensa como “vacinadas” contra essa repetição de manobras para desviar dos inquéritos.
Bolsonaro ainda precisa explicar a venda de joias e relógios de luxo que ganhou de presente da Arábia Saudita, a acusação de um hacker de que sugeriu fraudar as urnas eletrônicas e as suspeitas de incentivo a um golpe.
Amanhã, ele e mais sete aliados depõem simultaneamente na PF para que não possam combinar as versões nas oitivas.

