A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seis aliados do Partido Liberal tenham acesso contínuo à residência onde ele cumpre prisão domiciliar, em Brasília. Entre os nomes estão o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Altineu Côrtes (RJ), o secretário-geral da legenda, senador Rogério Marinho (RN), a deputada Caroline de Toni (SC) e o vice-presidente do partido, Bruno Scheid.
Desde que passou a cumprir prisão domiciliar, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, em agosto, as visitas políticas têm sido avaliadas individualmente, com autorizações específicas e datas definidas pelo magistrado. Até o momento, Bolsonaro recebeu apenas familiares diretos e profissionais de saúde, devido a problemas médicos. A defesa alega que a liberação contínua é necessária para que decisões estratégicas sobre as eleições de 2026 possam ser tomadas sem atrasos.
Valdemar Costa Neto também apresentou um pedido separado para se encontrar com Bolsonaro na próxima semana, após o julgamento do ex-presidente no STF, que definirá sua participação na trama golpista investigada pela Corte. Além do processo judicial, há preocupação com o agravamento do estado de saúde de Bolsonaro, que, segundo aliados, precisa participar diretamente das principais definições políticas do partido.
Entre as decisões urgentes está a composição das candidaturas em quatro estados, com destaque para São Paulo, maior colégio eleitoral do país. O secretário de Segurança do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Guilherme Derrite (PP), já está confirmado na chapa. A disputa agora se concentra na escolha do segundo nome, dividido entre o deputado Marco Feliciano (PL), apoiado pela bancada evangélica, e Cezinha de Madureira (PSD), visto como uma opção para atrair eleitores de centro. Bolsonaro também quer opinar sobre os suplentes ao Senado, pois pretende formar maioria na Casa para propor ações contra ministros do STF.
No encontro do mês passado, Bolsonaro e Valdemar discutiram a ausência de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde março e corre risco de perder o mandato por faltas. Caso retorne ao Brasil, ele pode ser preso por investigações que envolvem articulações de sanções contra autoridades brasileiras.
Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) transferirá seu domicílio eleitoral para disputar uma vaga ao Senado. A segunda vaga está em disputa entre o senador Esperidião Amin (PP), favorito por agregar palanques e alianças, e a deputada Caroline de Toni (PL), que conta com apoio interno do partido, mas enfrenta resistência de Jorginho Mello (PL), governador do estado.
Em Minas Gerais, Domingos Sávio (PL) e Eros Biondini (PL) disputam a indicação para concorrer ao Senado. Bolsonaro já afirmou que pretende compor alianças, evitando lançar dois nomes do PL no estado, buscando ampliar o alcance da chapa com candidatos de outras legendas.
No Mato Grosso, a situação é ainda mais complexa. O governador Mauro Mendes (União) deve ter o apoio de Bolsonaro para uma das vagas. A segunda vaga é disputada pelo deputado José Medeiros (PL), representante do grupo mais radical ligado ao ex-presidente, e pela emedebista Janaína Riva, considerada estratégica para atrair o voto feminino e vista como competitiva nas pesquisas eleitorais.
Essas articulações são fundamentais para definir os rumos do partido. Valdemar Costa Neto busca alinhar com Bolsonaro a estratégia nacional, incluindo candidaturas estaduais e proporcionais, mantendo o ex-presidente como figura central do projeto político do PL.
Os aliados acreditam que, mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro continua sendo um elemento decisivo na construção das chapas para 2026. A definição das candidaturas passa diretamente por suas opiniões, principalmente nos estados onde o partido tem forte presença ou onde há necessidade de alianças para enfraquecer adversários.
A disputa em São Paulo será um termômetro para medir a influência de Bolsonaro dentro do PL e na direita nacional. A escolha entre Feliciano e Cezinha pode definir a capacidade do partido de dialogar com segmentos evangélicos e setores mais moderados do eleitorado. Em Santa Catarina, a presença de Carlos Bolsonaro fortalece a família na disputa, mas a decisão sobre a segunda vaga ao Senado ainda gera impasses internos.
A defesa do ex-presidente argumenta que a restrição às visitas prejudica a articulação política em um momento decisivo, não apenas para o futuro do PL, mas também para a reorganização da direita no cenário nacional. O pedido ao STF busca assegurar que Bolsonaro participe ativamente das estratégias, mesmo sob custódia domiciliar, mantendo o controle sobre as decisões que afetarão diretamente as eleições de 2026 e a composição do Congresso Nacional.
As conversas entre Bolsonaro e a cúpula do partido indicam que, apesar das dificuldades impostas pela prisão domiciliar, o ex-presidente continua sendo a principal liderança do PL. A legenda aposta em sua capacidade de mobilização para manter o protagonismo no cenário político, apostando em alianças estratégicas e candidaturas competitivas que fortaleçam a base conservadora e ampliem sua influência nas principais regiões do país.
Fotos.: Beto Barata/ PL

