Após cinco anos de retorno à lista de países com índices críticos de subalimentação, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome, segundo dados mais recentes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A exclusão ocorre após uma queda significativa nos índices de insegurança alimentar grave no país, que agora atingem 2,8% da população — um percentual ainda levemente acima do limite, mas dentro da margem que impede a inclusão automática no relatório.
O Mapa da Fome é elaborado anualmente pela FAO e considera a média dos três anos anteriores na chamada Taxa de Prevalência da Subalimentação (PoU). Países com mais de 2,5% da população em situação de insegurança alimentar grave — definida como ausência frequente de acesso a alimentos suficientes — são incluídos no levantamento. A metodologia busca evitar distorções provocadas por crises pontuais, como desastres naturais ou instabilidades econômicas temporárias.
O Brasil havia deixado o Mapa em 2014, após uma década de políticas públicas voltadas à segurança alimentar. Programas como o Fome Zero, o Bolsa Família e o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) foram considerados determinantes na época. No entanto, a partir de 2016, o desmonte de políticas sociais fez com que o país voltasse a integrar a lista em 2018.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, 14,7 milhões de brasileiros deixaram de viver em insegurança alimentar grave entre 2023 e 2024. Essa redução, estimada em 85%, foi considerada fundamental para que o país se distanciasse novamente do indicador crítico da FAO.
O ministro Wellington Dias, titular da pasta, atribuiu o resultado a uma série de medidas articuladas nos últimos dois anos. “Entre 2023 e 2024, conseguimos reduzir significativamente o número de pessoas que viviam sem acesso mínimo à alimentação. Esse avanço mostra que aprendemos com o passado, quando foram necessários 11 anos para sairmos do Mapa da Fome. Desta vez, o resultado veio mais rápido”, afirmou. A meta, segundo ele, era atingir esse objetivo até 2026.
A principal frente do atual esforço é o Plano Brasil sem Fome, que reúne programas como o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ações de capacitação e estímulo ao empreendedorismo, além de investimentos na alimentação escolar.
Embora a exclusão do Brasil do Mapa da Fome represente um avanço, o governo reconhece que o desafio persiste. “Queremos garantir que 100% das famílias brasileiras tenham alimentação digna. Segurança e soberania alimentar continuam como prioridades”, disse Dias.
A FAO deve divulgar em 2026 novo relatório com dados atualizados do período 2023–2025, o que servirá como termômetro para avaliar a consolidação dos avanços recentes.
Foto: André Oliveira/MDS

