O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará, entre os dias 4 e 9 de junho, uma visita de Estado à França — a primeira de um chefe de governo brasileiro em 13 anos. A última visita desse tipo ocorreu em 2012, durante o mandato de Dilma Rousseff. Um dos principais destaques da viagem será o anúncio de uma nova declaração climática conjunta entre Brasil e França, resultado de um encontro entre Lula e o presidente francês Emmanuel Macron.
“Há expectativa de adoção de uma nova declaração dos dois líderes sobre a mudança do clima, considerando o engajamento interno de ambos os países e a necessidade de maior mobilização internacional rumo à COP30, sediada pelo Brasil. Também esperamos acordar a criação de um corredor marítimo descarbonizado com a França”, afirmou o embaixador Flávio Goldman, diretor do Departamento de Europa do Ministério das Relações Exteriores, em entrevista à imprensa na última sexta-feira (31).
Durante a visita, Lula e Macron devem assinar cerca de 20 atos bilaterais, com acordos de cooperação em áreas como vacinas, segurança pública, educação, ciência e tecnologia. Também são esperados anúncios de novos investimentos. Em 2024, a corrente de comércio entre os dois países atingiu US$ 9,1 bilhões, crescimento de 8% em relação ao ano anterior. A França é hoje o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil, com mais de US$ 66,3 bilhões em estoque.
Segundo o Itamaraty, o momento é considerado altamente positivo para o relacionamento bilateral. A visita deve reforçar o compromisso conjunto em temas como reforma da governança global, defesa do multilateralismo, combate ao extremismo e preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para 2025, em Belém.
Lula embarca na terça-feira (4) e terá seu primeiro compromisso oficial no dia 5, em Paris, com uma cerimônia de boas-vindas no Pátio de Honra da Esplanada dos Inválidos. O local, tradicionalmente usado para cerimônias militares, será o cenário da recepção ao presidente brasileiro. Em seguida, ele se reunirá com Macron no Palácio do Eliseu para uma reunião bilateral com as delegações dos dois países, seguida pela assinatura de atos e declarações à imprensa.
No dia 6 de junho, Lula receberá o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Paris 8, e visitará a exposição do “Ano do Brasil na França”, realizada no Grand Palais. A temporada cultural brasileira na França se estenderá até setembro, com atividades em mais de 50 cidades, envolvendo artes, cooperação acadêmica, ciência, tecnologia, educação e meio ambiente, com o objetivo de aprofundar os vínculos entre os países.
No mesmo dia, Lula será homenageado pela Academia Francesa, uma das instituições culturais mais tradicionais do país, fundada em 1635. Apenas 19 chefes de Estado receberam essa honraria ao longo dos quase 400 anos de existência da Academia. Dom Pedro II, em 1872, foi o único brasileiro agraciado antes de Lula.
Lula também participará do Fórum Econômico Brasil-França, que reunirá autoridades e empresários dos dois países para debater oportunidades de investimento e cooperação econômica. Ainda no dia 6, o presidente brasileiro participará de cerimônia que formaliza o reconhecimento do Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação — status confirmado na Assembleia-Geral da Organização Mundial de Saúde Animal em 29 de maio.
Na agenda política e militar, Lula se encontrará com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e viajará a Toulon, onde terá novo encontro com Macron na Base da Marinha Francesa. Eles discutirão o andamento do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub), retribuindo a visita que Macron fez ao Brasil em março de 2023, quando visitou instalações navais em Itaguaí (RJ).
No dia 8 de junho, Lula foi convidado a participar de um evento em Mônaco sobre economia azul, que abordará formas sustentáveis de utilizar e financiar a conservação dos oceanos. No dia seguinte, ele seguirá para Nice, onde participará da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, encontro que deverá reunir pelo menos 60 chefes de Estado para debater estratégias globais voltadas à proteção dos recursos marinhos.
Finalizando a viagem, Lula visitará em Lyon a sede da Interpol, organização internacional de polícia criminal, atualmente comandada pelo brasileiro Valdecy Urquiza, delegado da Polícia Federal. A visita reforça a relevância da cooperação internacional em segurança pública, além de destacar a posição de destaque que o Brasil passou a ocupar em instituições multilaterais.
Com uma pauta ampla e diversificada, a visita de Lula à França deverá consolidar a retomada de laços estratégicos entre os dois países, com avanços diplomáticos, econômicos, culturais e ambientais. A nova declaração climática conjunta deverá reforçar o protagonismo de Brasil e França na agenda ambiental global, em especial na preparação para a COP30, que terá papel central na revisão dos compromissos internacionais de combate à crise climática.
Foto: Fábio Charles Pozzebom/Agência Brasil

