O Brasil deverá colher 354,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo a nova estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento. A área total plantada deve alcançar 84,4 milhões de hectares, um avanço de 3,3% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média estimada é de 4,2 mil quilos por hectare. A companhia ressalta, porém, que as projeções ainda podem variar de acordo com as condições climáticas, especialmente em regiões do Sul que enfrentaram “eventos adversos”, além de irregularidades de chuvas no Mato Grosso e atrasos de precipitações em Goiás.

Para a soja, a previsão é de crescimento de 3,6% na área, chegando a 49,1 milhões de hectares. A produção estimada é de 177,6 milhões de toneladas. O plantio segue dentro da média dos últimos cinco anos, mas ainda atrasado na comparação com o mesmo período da safra anterior. Em Goiás e Minas Gerais, “não foram registrados índices de chuvas satisfatórios para o avanço da semeadura”, apontou o levantamento. No Mato Grosso, o plantio mantém ritmo semelhante ao do ciclo passado, mas a instabilidade climática de outubro afetou áreas semeadas no início do mês. Segundo o relatório, “algumas áreas semeadas no início de outubro sentiram os efeitos de déficit hídrico, comprometendo a população de plantas por hectare”.

Para o milho, a estimativa total das três safras é de 138,8 milhões de toneladas, número 1,6% menor que o ciclo anterior. A área da primeira safra cresce 7,1%. A Conab relata que “as baixas temperaturas ocorridas durante certos períodos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul retardaram a emergência e o desenvolvimento inicial da cultura”. No Paraná, parte das lavouras sofreu com “intensas precipitações, fortes ventos e granizos ocorridos no início de novembro”.

A produção de arroz está estimada em 11,3 milhões de toneladas, uma queda de 11,5% devido à redução da área cultivada. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção, a semeadura alcança mais de 78% do previsto, embora o excesso de chuvas tenha atrasado o uso de maquinário. Já o feijão deve alcançar 3,1 milhões de toneladas, resultado semelhante ao ciclo anterior. A primeira safra registra retração de 7,3% na área, totalizando 841,9 mil hectares, e produção prevista de 977,9 mil toneladas, queda de 8%. “O plantio segue em andamento nos principais estados produtores, já concluído em São Paulo, Paraná com 91% e Minas Gerais com 44%”, informou a companhia.

As culturas de inverno estão em colheita, com destaque para o trigo, cuja produção estimada é de 7,7 milhões de toneladas. As condições climáticas são consideradas favoráveis, mas a Conab alerta que “a redução dos investimentos em insumos tornou as lavouras mais suscetíveis a doenças”. A companhia acrescenta que “as chuvas intensas registradas no início de novembro podem influenciar as lavouras que ainda permanecem em campo”, especialmente no Paraná.

Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux


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