O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (16) que o governo brasileiro tem interesse em ampliar a produção de gás natural na Bolívia e aumentar o volume de importação do combustível para abastecer o mercado brasileiro. A declaração foi feita durante encontro oficial com o presidente boliviano Rodrigo Paz, que realizou visita ao Brasil e participou de reuniões no Palácio do Planalto.

Durante a declaração conjunta à imprensa, Lula destacou que a cooperação energética entre Brasil e Bolívia continua sendo um dos pilares mais importantes da relação bilateral entre os dois países. Segundo ele, o cenário internacional marcado por conflitos e instabilidade no fornecimento de combustíveis reforça a importância de parcerias estratégicas com países vizinhos.

O presidente brasileiro afirmou que a Bolívia permanece como um fornecedor confiável de gás natural para o Brasil e ressaltou que a parceria energética construída ao longo das últimas décadas representa uma das experiências mais relevantes de integração na América Latina. Lula destacou que a Petrobras teve papel fundamental nesse processo de cooperação entre os dois países.

De acordo com o presidente, a estatal brasileira já foi responsável por cerca de 60% da produção de gás natural boliviano. Atualmente, a participação da empresa corresponde a aproximadamente 25% do total produzido no país vizinho. Mesmo assim, Lula afirmou que ainda existe grande potencial para ampliar os investimentos e fortalecer essa parceria.

O chefe do Executivo também mencionou a importância do Gasoduto Brasil-Bolívia, infraestrutura energética que conecta os dois países e que desempenhou papel importante no crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos boliviano. Segundo ele, essa estrutura pode agora ser utilizada para promover uma integração ainda mais ampla do mercado de gás natural no Cone Sul.

Além disso, Lula afirmou que o gasoduto também poderá contribuir para projetos industriais planejados pelo governo boliviano, como a instalação de uma fábrica de fertilizantes na região de Puerto Quijarro. A iniciativa poderá ampliar o uso do gás natural na produção agrícola e industrial da região.

Durante a visita oficial, Brasil e Bolívia também assinaram um acordo para a interconexão de seus sistemas elétricos. O projeto prevê a construção de uma linha de transmissão que ligará a província boliviana de Germán Busch, localizada no departamento de Santa Cruz, ao município brasileiro de Corumbá, no estado de Mato Grosso do Sul.

Segundo Lula, a iniciativa permitirá otimizar o uso dos recursos energéticos disponíveis nos dois países e levar eletricidade a regiões que ainda dependem do uso de diesel para geração de energia. O presidente afirmou que a cooperação energética também poderá incluir apoio brasileiro ao desenvolvimento de biocombustíveis e outras fontes renováveis na Bolívia.

Para Lula, ampliar a cooperação nesse campo representa uma forma de aumentar a segurança energética regional, diversificar fontes de fornecimento e contribuir para a descarbonização das economias sul-americanas.

O presidente boliviano Rodrigo Paz destacou que a parceria com o Brasil também pode avançar em outras áreas estratégicas, como mineração. Segundo ele, a Bolívia possui grande diversidade de minerais e potencial significativo de desenvolvimento econômico, o que pode gerar novas oportunidades de cooperação entre os dois países.

Durante o encontro, os dois presidentes também discutiram temas relacionados à integração física regional, combate a crimes transnacionais, comércio, investimentos e cooperação para o desenvolvimento.

Um segundo acordo firmado durante a visita trata da cooperação na área de turismo. O objetivo é promover o intercâmbio turístico entre os dois países e incentivar iniciativas de formação e qualificação profissional no setor.

Outro documento assinado estabelece mecanismos de cooperação para fortalecer o combate ao crime organizado transnacional. O acordo prevê ações conjuntas voltadas à prevenção, investigação e repressão de crimes como tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, mineração ilegal, crimes ambientais e crimes cibernéticos.

Durante a declaração à imprensa, Lula também destacou que o Brasil é atualmente o segundo maior parceiro comercial da Bolívia. No entanto, ele ressaltou que o volume de comércio entre os dois países tem apresentado queda ao longo dos últimos anos.

Segundo o presidente, em 2013 o intercâmbio comercial bilateral chegou a cerca de US$ 5,5 bilhões. Em 2025, o volume registrado foi de aproximadamente US$ 2,6 bilhões. Para Lula, esse cenário demonstra que ainda existe grande espaço para ampliar o comércio e fortalecer a integração econômica regional.

O presidente brasileiro afirmou que empresários brasileiros demonstram interesse em investir na Bolívia, especialmente em setores ligados à produção de alimentos, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja. Ele também mencionou oportunidades de cooperação em biotecnologia, com participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Como parte da agenda oficial no Brasil, o presidente Rodrigo Paz participará nesta terça-feira (17) de um evento empresarial em São Paulo voltado à promoção de oportunidades de comércio e investimento. Cerca de 120 empresários bolivianos acompanham a comitiva.

Lula também mencionou a importância da construção da segunda ponte internacional entre Brasil e Bolívia sobre o Rio Mamoré. A estrutura ligará os municípios de Guajará-Mirim, em Rondônia, e Guayaramerín, no departamento boliviano de Beni.

Segundo o presidente brasileiro, a obra faz parte das Rotas de Integração Sul-Americana e tem previsão de início em 2027. A nova ligação deverá ampliar a conectividade entre os dois países e facilitar o acesso de produtores brasileiros e bolivianos aos portos do Chile e do Peru no Oceano Pacífico.

Para Lula, a ampliação da infraestrutura logística e energética entre os dois países representa passo importante para fortalecer o comércio regional e ampliar a presença sul-americana nos mercados internacionais, especialmente na Ásia.

Foto: Ricardo Stuckert / PR


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