O Brasil voltou a perder posições no Ranking Mundial de Competitividade de 2026 e passou a ocupar a 65ª colocação entre as 70 economias avaliadas pelo estudo elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral. O resultado representa uma queda de sete posições em relação ao levantamento anterior e marca o pior desempenho já registrado pelo país desde o início da participação brasileira na pesquisa.
O recuo interrompe a melhora observada em 2025, quando o Brasil havia alcançado a 58ª posição, seu melhor resultado desde 2020. O ranking é considerado uma das principais referências internacionais para avaliar a capacidade das economias de criar condições favoráveis ao desenvolvimento empresarial, à atração de investimentos e ao crescimento sustentável. A metodologia utiliza centenas de indicadores estatísticos internacionais e também pesquisas de percepção realizadas com executivos sobre o ambiente de negócios em cada país.
No Brasil, a apuração dos dados é realizada em conjunto com o Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, sediado em Nova Lima. O estudo avalia quatro grandes pilares: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.
Segundo os resultados divulgados, o país apresentou deterioração em todas as dimensões analisadas. A maior queda ocorreu no indicador de eficiência empresarial, que perdeu onze posições em comparação com o ano anterior. Já o desempenho econômico recuou seis colocações. Apesar disso, continua sendo o aspecto relativamente mais bem avaliado do Brasil, ocupando a 36ª posição entre as economias pesquisadas.
A eficiência governamental manteve uma trajetória de enfraquecimento observada nos últimos anos, enquanto os indicadores de infraestrutura também registraram piora. O levantamento destaca que o ambiente de negócios brasileiro continua enfrentando dificuldades estruturais relacionadas ao elevado custo do capital, baixa produtividade da força de trabalho, endividamento corporativo e limitações na educação básica. Em alguns desses quesitos, o Brasil aparece nas últimas posições do ranking mundial.
Os pesquisadores observam que os juros elevados continuam afetando diretamente a competitividade nacional ao aumentar os custos de financiamento, reduzir a previsibilidade dos investimentos e dificultar a expansão de projetos produtivos de longo prazo. Além disso, a formação educacional e a qualificação da mão de obra seguem sendo apontadas como gargalos para o crescimento econômico e para a modernização das empresas brasileiras.
Apesar do cenário desfavorável, o país mantém desempenhos positivos em algumas áreas específicas. Entre os pontos fortes identificados pelo estudo está a capacidade de geração de empregos no longo prazo, indicador em que o Brasil ocupa a quinta colocação mundial. Também aparecem entre os destaques a participação de energias renováveis na matriz energética, os subsídios governamentais voltados para determinados setores produtivos, a atração de investimento estrangeiro direto e o dinamismo do empreendedorismo em estágio inicial.
No cenário internacional, a liderança do ranking passou para Singapura, que assumiu a primeira colocação impulsionada pelo ambiente favorável aos negócios e pela estabilidade institucional. Em seguida aparecem Hong Kong, Suíça e Taiwan. Os Emirados Árabes Unidos completam o grupo dos cinco primeiros colocados. Na parte inferior da classificação aparecem Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela, que ocupam as últimas posições do levantamento. O resultado reforça os desafios que o Brasil precisará enfrentar para recuperar competitividade, melhorar o ambiente de negócios e ampliar sua capacidade de crescimento econômico nos próximos anos.
Foto: Amanda Perobelli
Fonte: Reuters

