O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, informou nesta sexta-feira, dia 15, em São Paulo, que o banco já renegociou R$ 820 milhões em dívidas por meio do programa Novo Desenrola Brasil. A iniciativa do governo federal foi lançada oficialmente no último dia 4 de maio e busca facilitar a renegociação de débitos de famílias, estudantes e pequenos empreendedores que enfrentam dificuldades financeiras.
Segundo a Caixa, a nova etapa do programa terá duração de 90 dias e prevê descontos que podem chegar a 90% sobre o valor das dívidas, além de juros reduzidos e possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para abatimento dos débitos. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia informado que o Desenrola 2.0 estava próximo de alcançar R$ 1 bilhão em renegociações em todo o país.
Durante coletiva para apresentação do balanço trimestral da instituição financeira, Carlos Vieira destacou que ainda existe baixa utilização do FGTS nas renegociações feitas pela Caixa. Segundo ele, o uso efetivo do fundo para essa finalidade deverá começar a ocorrer a partir do próximo dia 25 de maio.
Pelas regras do programa, trabalhadores poderão utilizar até 20% do saldo disponível no FGTS ou até R$ 1 mil, prevalecendo sempre o maior valor disponível para abatimento das dívidas renegociadas.
Durante a apresentação dos resultados financeiros, o presidente da Caixa também informou que o banco registrou prejuízo de cerca de R$ 20 milhões relacionados a fraudes e ataques cibernéticos no aplicativo Caixa Tem ao longo do ano passado. Segundo Vieira, a instituição reforçou os investimentos em tecnologia e segurança digital para reduzir os riscos de novas invasões.
A expectativa da Caixa é investir R$ 5,9 bilhões em tecnologia neste ano. “Nós estamos agora com praticamente zero de ataques no Caixa Tem”, afirmou o presidente do banco.
A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa queda de 34,4% em relação ao mesmo período do ano passado e foi impactado pelo aumento das provisões para perdas com crédito, impulsionadas pelas novas exigências regulatórias do Banco Central relacionadas à cobertura de risco de inadimplência.
Apesar da redução no lucro, a carteira de crédito da instituição continuou crescendo, especialmente no setor imobiliário, segmento em que a Caixa mantém liderança nacional. A carteira total de crédito alcançou R$ 1,4 trilhão no trimestre.
A inadimplência encerrou o período em 3,71%. Segundo a vice-presidente de Riscos da Caixa, Henriete Sartori, a instituição acompanha com maior cautela o desempenho do setor agropecuário, que ainda gera preocupação em relação ao crescimento da inadimplência. Atualmente, o agronegócio representa cerca de 5% da carteira total de crédito da Caixa Econômica Federal.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

