A Câmara dos Deputados decidiu cancelar as sessões de votação da próxima semana, em meio à reta final da janela partidária. A medida foi articulada pela cúpula da Casa e atende a uma demanda de líderes partidários, que consideram o período estratégico para negociações políticas nos estados.

Inicialmente, estava prevista a realização de sessões semipresenciais, mas houve mudança de planos e até mesmo as votações virtuais foram suspensas. A janela partidária permite que parlamentares troquem de legenda sem risco de perder o mandato e se encerra na sexta-feira, dia 3 de abril.

Tradicionalmente, esse período é marcado por intensas articulações políticas, com definição de alianças regionais e montagem de palanques para as eleições. Diante disso, a tendência é de esvaziamento do Congresso, com deputados priorizando agendas em suas bases eleitorais.

O mesmo cenário já foi observado ao longo desta semana, quando a Câmara funcionou com baixo quórum presencial. As votações se concentraram em propostas de consenso, com menor potencial de conflito e que exigem pouca articulação política direta.

Nos bastidores, líderes também atuaram para reduzir o ritmo das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. O presidente da Casa, Hugo Motta, já afirmou que não há previsão para instalação de uma nova CPI específica sobre o caso.

As investigações em curso apontam possíveis conexões do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades dos três Poderes, o que elevou a pressão política sobre o Congresso nas últimas semanas.

Apesar do esvaziamento, alguns projetos foram aprovados, incluindo a criação de datas comemorativas e propostas com menor impacto político. Entre elas, iniciativas voltadas à valorização de temas sociais e culturais.

Na quarta-feira, os deputados também aprovaram um projeto que flexibiliza regras orçamentárias para viabilizar a ampliação da licença-paternidade. A previsão é que o benefício seja ampliado gradualmente até alcançar 20 dias em 2029.

As votações ocorreram com baixa presença física de parlamentares, mas foram viabilizadas pela autorização para participação remota. A expectativa inicial era de manutenção desse modelo na próxima semana, o que acabou sendo descartado.

Segundo parlamentares, a decisão de suspender as atividades reflete um entendimento coletivo de que o momento exige dedicação às negociações partidárias. A coincidência com o feriado da Páscoa também contribuiu para a definição.

Nos bastidores, há ainda a avaliação de que o esvaziamento reduz a exposição política em meio ao avanço das investigações. A expectativa é que tratativas envolvendo possível delação de Daniel Vorcaro avancem nos próximos dias junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


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