O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto voltou a faltar, nesta quarta-feira, 8 de abril, à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, no Senado. Esta foi a terceira tentativa frustrada da comissão de ouvi-lo na condição de testemunha qualificada, em razão de seu conhecimento técnico sobre mecanismos de fiscalização do sistema financeiro. A sessão desta quarta teve como pauta a oitiva de Campos Neto e do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A ausência foi informada ao colegiado pelos advogados do ex-presidente do BC. Segundo a defesa, a obrigatoriedade de comparecimento contrariaria decisão anterior do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que já havia convertido uma convocação em convite, tornando facultativa sua presença em reunião anterior da CPI. O episódio reacende o embate entre a comissão e a defesa do economista.

Campos Neto já havia sido alvo de uma primeira tentativa de oitiva em 3 de março. Na ocasião, a convocação acabou transformada em convite por decisão do STF. Depois, a CPI insistiu em ouvi-lo na reunião de 31 de março, mas o ex-presidente do Banco Central também não compareceu. Diante da nova recusa, os senadores aprovaram outra convocação para a sessão desta quarta-feira, que acabou novamente esvaziada pela ausência do ex-dirigente da autoridade monetária. ([Senado Federal][2])

O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, sustenta que Campos Neto poderia contribuir de forma relevante para a apuração sobre a atuação, a expansão e o funcionamento de facções criminosas no país. A expectativa da comissão era aprofundar informações sobre fiscalização financeira e eventuais falhas de controle em operações suspeitas. Enquanto isso, Gabriel Galípolo compareceu à sessão e prestou esclarecimentos aos parlamentares sobre investigações e mecanismos de supervisão.

A nova ausência ocorre em momento de pressão sobre a CPI, que está perto do encerramento. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar os trabalhos do colegiado, mantendo o prazo final em 14 de abril. Com isso, os integrantes da comissão discutem quais medidas ainda poderão adotar nos próximos dias para tentar concluir diligências e consolidar as conclusões da investigação antes do fechamento oficial dos trabalhos.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


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