O número de casos de dengue e de chikungunya aumentou em Belo Horizonte em 2022. O levantamento da Secretaria Municipal de Saúde apontou que foram 1212 casos de dengue no ano passado, um número 13% maior que o registrado em 2021, com 1072.

Uma pessoa morreu vítima da doença. O estudo também apontou que os casos de chikungunya mais que dobraram. Foram 106 casos em 2022 e 52 em 2021, um aumento de 103%.

“A prefeitura de Belo Horizonte está muito atenta a essas doenças, temos feito um trabalho muito grande para evitar mais casos e mortes”, afirma o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD).

Segundo o chefe do executivo a capital pretende ampliar o número de visitas preventivas. Conforme Noman, somente no ano passado, 4.000 visitas a residência e locais com maior risco de infestação. “Nós vamos insistir muito que as famílias façam o dever de casa e verifiquem os focos na residências”, completou Noman.

De acordo com o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), 83,3% dos focos do mosquito foram encontrados em ambiente domiciliar. A maior parte deles em pratinhos de planta (26,5%), inservíveis (19,2%), recepientes domésticos (10,2%), barris e tambores (7,5%) e pneus (6,3%).

“A prefeitura conta com a colaboração da população para combater esses focos. Se a pessoa tirar 15 minutos durante a semana para intensificar a fiscalização, isso vai ajudar a evitar doenças, mortes”, afirma a o Subsecretário de Promoção e Vigilância a Saúde, Fabiano Pimenta.

Ainda segundo o subsecretário, a prefeitura articula, junto a Defesa Civil, ações para conseguir vistoriar as residências que possam conter focos do mosquito. “Como muitas pessoas trabalham durante o dia e não estão em casa para receber os agentes de fiscalização, a gente pretende agendar visitas noturnas para verificar esses imóveis”, completou.

Em 2022, segundo a prefeitura, foram mais de 800 pedidos de vistorias. Essas solicitações são feitas a partir das denúncias dos moradores, que identificam possíveis focos do mosquito na região onde moram. Os pedidos podem ser feitos pelo telefone 156 e óleo aplicativo da PBH.

Desde outubro de 2020, a prefeitura de Belo Horizonte, junto a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas) e o projeto World Mosquito Program, tem desenvolvido ações de enfrentamento às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

São fabricados mosquitos com uma bactéria que possui capacidade reduzida de transmitir o vírus para as pessoas, diminuindo surtos de dengue, zika, chikungunya e febre amarela.

“Esse é um processo temporário para que ocorra a substituição dos mosquitos que ali existem pelos que possuem a bactéria e protejam a população”, explica o pesquisador do Instituto René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), Luciano Moreira.

Os mosquitos já foram liberados nas regionais do Barreiro, Centro-Sul, Oeste, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Pampulha e Venda Nova.

Na terceira etapa desse projeto, que compreendeu o período entre outubro e dezembro do ano passado, 5 milhões de mosquitos foram soltos. “O método é algo complementar. Vamos continuar com as vistorias, inseticidas, monitoramento de drones, e outras ações”, completa Moreira.

Como parte do processo de enfrentamento ao Aedes aegypti, a prefeitura também conta com sobrevoos de drones que ajudam a identificar possíveis focos em locais de difícil acesso.

Também é feita a aplicação de inseticida a Ultra Baixo Volume (UBV) para o combate de mosquitos adultos, além da instalação de armadilhas no intervalo de quinze dias. Essas armadilhas possuem o objetivo de verificar os pontos da cidade com o maior número de ovos do mosquito, já em fase adulta.

A partir desse levantamento, são identificadas as regionais com maior incidência e, a partir disso, definidas ações de enfrentamento, como mutirões de limpeza e visitas as casas.


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