O Hamas comemorou nesta quarta-feira (27) o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no Líbano, destacando a possibilidade de cooperar para um entendimento semelhante na Faixa de Gaza. Em nota, o grupo palestino reafirmou sua disposição de buscar um fim para o conflito em Gaza dentro de parâmetros claros. “Estamos interessados em interromper a agressão contra nosso povo, com base no cessar-fogo, retirada das forças de ocupação, retorno dos deslocados e um acordo completo para troca de prisioneiros”, declarou.

O Hamas destacou a importância do acordo entre Israel e o Hezbollah como um marco contra as intenções do governo israelense. “O pacto destrói as ilusões de Netanyahu de reconfigurar o mapa do Oriente Médio. Israel inicialmente planejava aniquilar as capacidades militares do Hezbollah”, afirmou o grupo, elogiando a atuação do movimento libanês. “Saudamos o papel essencial da Resistência Islâmica no Líbano e os sacrifícios de sua liderança e do povo libanês solidário com os palestinos.”

Os recentes confrontos no Líbano tiveram início após o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, em resposta à ocupação dos territórios palestinos e ao bloqueio à Faixa de Gaza. O ataque causou 1,2 mil mortes em Israel e resultou na captura de mais de 200 reféns. Em solidariedade aos palestinos, o Hezbollah lançou ofensivas contra bases militares no norte de Israel, enquanto Tel Aviv retaliava com ataques maciços ao sul do Líbano e Beirute, deixando cerca de 4 mil mortos desde setembro.

O governo israelense justificou sua ofensiva no Líbano como forma de garantir o retorno de moradores deslocados no norte de Israel devido aos ataques do Hezbollah. Ao anunciar o cessar-fogo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a trégua no Líbano permitirá intensificar a pressão sobre o Hamas em Gaza. “Com o Hezbollah fora do jogo, nossa pressão contra o Hamas será ampliada, contribuindo para libertar os reféns”, declarou Netanyahu na terça-feira (26).

O acordo de cessar-fogo no Líbano foi mediado por França e Estados Unidos. Ele estabelece uma trégua de dois meses e a retirada das tropas israelenses do território libanês. Em contrapartida, o Hezbollah se comprometeu a deslocar suas forças para o norte do Rio Litani, uma fronteira estipulada desde o fim da guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2006. A área entre as forças será patrulhada pelo Exército libanês e pela missão da ONU no Líbano (Unifil).

Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden reforçou sua intenção de buscar um cessar-fogo em Gaza, condicionando-o à retirada do Hamas do poder. “Trabalharemos com aliados como Turquia, Egito, Catar e Israel para acabar com a guerra, garantir a libertação dos reféns e promover a paz na região”, afirmou Biden em pronunciamento. O cenário atual reflete esforços diplomáticos intensos para conter os conflitos e criar caminhos para acordos duradouros.

Foto: Ibrahim Amro

 


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