O tenente-coronel Mauro Cid disse em delação à Polícia Federal que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) consultou os três comandantes das Forças Armadas que estavam no cargo em 2022, em uma reunião privada, sobre a possibilidade de um golpe de estado, após derrota nas urnas. As informações são da revista Veja.
Reunião aconteceu em novembro de 2022, poucos dias depois da vitória do presidente Lula (PT), segundo o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Naquele período pós-eleições, Jair ficou recluso, relutava em aceitar a derrota enquanto, supostamente, tramava a possibilidade de um golpe se contasse com o aval dos comandantes das Forças.
Bolsonaro convocou reunião com os chefes do Exército, general Freire Gomes, da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista Junior, e da Marinha, almirante Almir Garnier. Ao chamar os comandantes para a conversa, Jair já havia aprovado uma minuta golpista, que teria sido elaborada por um de seus principais assessores, Filipe Martins, segundo Cid.
Bolsonaro teria ficado a sós com os três comandantes das Forças Armadas, mas ouviu apenas do chefe da Marinha um suposto endosso ao golpe. De acordo com o relato de Cid à PF, o general Freire Gomes lhe confessou que o almirante Garnier teria colocado suas tropas “à disposição” do então presidente.
Procurada a defesa de Bolsonaro disse que não vai comentar o caso por se tratar de “uma fofoca” do advogado do tenente-coronel. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos ex-comandantes das Forças. O espaço segue aberto para manifestação.
Mauro Cid voltará a prestar depoimento à Polícia Federal na próxima segunda-feira (11). A oitiva foi marcada após revelações feitas pelo general Freire Gomes à própria PF em seu depoimento, quando o ex-chefe do Exército disse que Jair Bolsonaro convocou reunião para discutir proposta golpista.
Segundo a Folha de S.Paulo, o plano incluía uma minuta para reverter a eleição de Lula. Freire Gomes também teria citado o ex-presidente como o responsável pela manutenção dos acampamentos golpistas em Brasília.
Bolsonaro pediu acesso ao depoimento de Freire Gomes. Os advogados do ex-presidente dizem que é “imperioso” que a defesa tenha acesso ao conteúdo das audiências do ex-chefe do Exército e de Carlos Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica.
No STF, a avaliação é de que o depoimento de Freire Gomes complica Bolsonaro. Segundo o colunista do UOL Josias de Souza, um ministro da Suprema Corte disse que o ex-chefe do Exército relatou “é melhor e mais valioso do que uma delação, porque contém revelações de uma testemunha, não de um criminoso à procura de benefício judicial”.
Para esse ministro, o resultado da audiência “consolidou o quadro probatório”. O integrante do STF, que acompanha as investigações de perto, disse ainda que as informações prestadas por Freire Gomes deram “consistência” a provas que já eram “sólidas“.

