Os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), também conhecidos como cigarros eletrônicos, vaper, pod, e-cigarette, e-ciggy, e-pipe, e-cigar, heat not burn (tabaco aquecido), entre outros, têm a comercialização, importação e propaganda proibidas no Brasil, por meio da Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa: RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009. No entanto, cada vez mais o produto ganha mercado e consumidores, principalmente, entre os jovens.
Desde 2003, quando foram criados, tais produtos passaram por diversas gerações: os produtos descartáveis, de uso único; os produtos recarregáveis com refis líquidos (que contém em sua maioria propileno glicol, glicerina, nicotina e flavorizantes), em sistema aberto ou fechado; os produtos de tabaco aquecido, que têm um dispositivo eletrônico onde se acopla um refil com tabaco; os sistema “pods”, que contém sais de nicotina e outras substâncias diluídas em líquido e se assemelham à pen drives, dentre outros.
Tanta oferta e mudança, que até uma carilha foi lançada para que todos possam ter mais informação: ‘Cigarros Eletrônicos: o que sabemos?’, lançada em dezembro de 2016 e produzida a partir de uma parceria entre a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).
O documento reúne informações sobre a composição do vapor e os danos à saúde, bem como sobre o papel destes produtos na redução de danos e no tratamento da dependência de nicotina.
Desenvolvidos como alternativa aos cigarros tradicionais, os cigarros eletrônicos caíram no gosto dos jovens. Em formato de caneta ou mesmo de um celular, eles jão são apontados como como a provável causa de várias doenças pulmonares. Contudo, o que pouco se fala é que ele também é prejudicial para a saúde vascular.
Compostos por cartucho (filtro), parte eletrônica e bateria, os vapers conseguem atingir temperaturas que variam entre 300 ºC a 400 ºC – um cigarro tradicional chega a atingir mais de 800 °C -, o que faz com que certas substâncias químicas altamente tóxicas não entrem em combustão e sigam para o organismo da pessoa em sua totalidade.
O médico angiologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular e coordenador de cirurgia vascular do Hospital Biocor, Josualdo Euzébio, enfatiza que o cigarro eletrônio é pior do que o tradicional: “No cigarro eletrônico, além dos riscos da nicotina e de outras substâncias, ele tem também a substância ultraprocessada e forma micropartículas partículas com maior penetração no pulmão causando mais riscos que o convencional e para a saúde cardiovascular. È muito danoso, em consequência, é mais nocivo para o pulmão.”
Para Josualdo Euzébio, é preciso desencorajar o uso de qualquer tipo de cigarro, porque todo cigarro é nocivo. “No caso do cigarro eletrônico, ele está sendo muito usado entre os jovens, por ser mais moderno, mas seus riscos são fortes, até maiores que os convencionais. Portanto, o uso de qualquer tipo de cigarro seja eletrônico ou não deve ser desestimulado. Os jovens o acham moderno, mais ‘bonito’ e vê o cigarro eletrônico como algo chique e promove status. Por isso, atrai mais a população jovem do que aos adultos.”

