Belo Horizonte recebe, entre os dias 23 e 28 de setembro, a 19ª edição da Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte (CineBH). O evento já se consolidou como um importante espaço para a exibição de produções nacionais e internacionais, além de promover a formação de público e fortalecer o mercado audiovisual. Nesta edição, serão apresentados 101 filmes, distribuídos entre pré-estreias, mostras temáticas, debates, oficinas e atividades voltadas ao desenvolvimento do setor.

A abertura oficial será na noite desta terça-feira (23), no Cine Theatro Brasil, com a pré-estreia do longa-metragem “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. A produção pernambucana vem conquistando reconhecimento internacional, tendo vencido três prêmios no Festival de Cannes: melhor direção, melhor ator para Wagner Moura e o prêmio da crítica. O filme foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional, gerando grande expectativa entre os cinéfilos e profissionais do setor.

A coordenadora geral da mostra, Raquel Hallak, diretora da Universo Produção, também é responsável pela Mostra de Cinema de Tiradentes, realizada desde 1998, e pela CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, realizada desde 2006. Ela explica que a CineBH nasceu da necessidade de criar, na capital mineira, um evento voltado para o encontro entre a criação artística e o mercado. “Belo Horizonte tem vocação para sediar um evento com foco na internacionalização da produção brasileira e no intercâmbio profissional. Nosso objetivo sempre foi conectar criadores, produtores e distribuidores, formando uma rede sólida de apoio ao audiovisual”, afirmou.

Raquel destacou a importância do festival para a cidade e para o público. “A CineBH é hoje um dos principais eventos culturais de Belo Horizonte, movimentando a economia criativa, incentivando o turismo cultural e ampliando o calendário artístico da cidade. Para o público, representa uma oportunidade única de assistir a filmes inéditos, participar de debates, oficinas e rodas de conversa, tudo de forma gratuita”, ressaltou.

A coordenadora avaliou também o atual cenário do cinema brasileiro, que, segundo ela, vive um momento de retomada. “Apesar dos desafios enfrentados nos últimos anos, o cinema brasileiro demonstra uma capacidade impressionante de resistência e reinvenção. Temos alcançado conquistas importantes em festivais internacionais e produzido obras marcadas pela diversidade e pela potência criativa, dialogando com temas urgentes para a sociedade”, observou.

A escolha de “O Agente Secreto” para abrir o festival foi comemorada pela organização. “É uma honra abrir a 19ª edição da CineBH com um filme que acabou de ser selecionado para representar o Brasil no Oscar. Isso reafirma nosso compromisso com o cinema brasileiro de qualidade e com projeção internacional. Exibir esse longa em conexão com o homenageado desta edição, o ator Carlos Francisco, é um presente para o público e uma forma de celebrar a força do nosso cinema”, destacou Raquel.

Ela também comentou sobre a importância dos festivais para os filmes independentes. “Os festivais são as primeiras janelas de exibição para muitas produções que ainda não têm distribuição comercial. Eles funcionam como laboratórios de recepção, onde os filmes são testados, discutidos e ganham visibilidade. Além disso, permitem que o público tenha contato com obras que muitas vezes não chegam ao circuito comercial”, explicou.

Raquel compartilhou ainda um pouco de sua trajetória à frente da Universo Produção, empresa com 30 anos de atuação no setor cultural. “Idealizamos o programa Cinema sem Fronteiras, que reúne quatro projetos audiovisuais de grande relevância: a Mostra de Cinema de Tiradentes, a CineOP, a Mostra CineBH e o Brasil CineMundi. Cada evento tem sua identidade própria e contribui para o fortalecimento do audiovisual brasileiro. Temos uma relação muito próxima com o público mineiro, que participa ativamente e valoriza a programação gratuita. O cinema é uma ferramenta de transformação social, e ver esse engajamento é extremamente gratificante”, afirmou.

O ator Carlos Francisco será o grande homenageado desta edição. “Carlos Francisco representa, com talento e sensibilidade, a potência do cinema brasileiro contemporâneo. Sua trajetória, marcada por atuações intensas no teatro e no cinema, o coloca como uma referência artística. A homenagem reconhece sua contribuição para narrativas que refletem a diversidade do Brasil”, declarou Raquel.

Além das exibições, o festival promove o Brasil CineMundi, um dos principais eventos de mercado internacional do país, que chega à sua 16ª edição. O encontro conecta projetos brasileiros em desenvolvimento a profissionais do mercado mundial, como distribuidores, agentes de vendas, programadores e representantes de fundos internacionais. “O Brasil CineMundi oferece atividades formativas, painéis, rodadas de negócios e mentorias, criando um ambiente estratégico para o crescimento do setor”, explicou Raquel.

O seminário “Audiovisual em Conexão: Regulação, Coprodução e os Desafios do Mercado” será um dos destaques do encontro. Segundo a coordenadora, ele reunirá mais de 80 especialistas de 15 países. “Profissionais de diferentes áreas, pesquisadores, gestores públicos, distribuidores e curadores estarão presentes para debater os caminhos do audiovisual. Em um momento de retomada das políticas públicas, discutir regulação e coprodução é essencial para fortalecer nossa cadeia produtiva”, enfatizou.

Durante os quatro dias de programação, o seminário será uma oportunidade para discutir estratégias e criar parcerias internacionais. Para Raquel, a integração entre os setores criativo e industrial é fundamental para garantir a sustentabilidade do mercado. “Queremos promover um diálogo construtivo sobre os desafios atuais e futuros, buscando soluções que permitam o crescimento equilibrado do audiovisual brasileiro”, afirmou.

Na programação geral da CineBH, os 101 filmes selecionados refletem a diversidade da produção contemporânea. Serão exibidas obras brasileiras e internacionais, com temáticas que abordam desde questões sociais e políticas até experiências estéticas inovadoras. Entre os destaques, estão filmes que tiveram grande repercussão em festivais ao redor do mundo, além de produções independentes que encontram na mostra uma vitrine privilegiada.

A fase final do evento será marcada pela premiação e pelo anúncio de novos projetos apoiados pelo programa Cinema sem Fronteiras. Para Raquel, a CineBH é mais do que um festival: “Ela representa um espaço de encontro, reflexão e celebração. Nosso objetivo é fortalecer o audiovisual brasileiro, oferecendo ao público experiências transformadoras e abrindo portas para que nossos filmes circulem pelo mundo”, concluiu.

Com a abertura de “O Agente Secreto” e uma programação intensa, a 19ª edição da CineBH reforça seu papel como plataforma de difusão cultural e de integração internacional, consolidando Belo Horizonte como um centro estratégico para o cinema no Brasil e na América Latina.

Foto: Leo Lara/Universo Produção

 


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