A ex-senadora e atual prefeita de Crateús, no Ceará, Janaína Farias, afirmou ter sido “atacada covardemente” pelo ex-governador cearense Ciro Gomes (PDT). O episódio ocorreu durante o aniversário do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, na sexta-feira, quando o ex-presidenciável, em discurso a apoiadores, fez duras críticas a lideranças do PT no estado.

No pronunciamento, que foi filmado e divulgado nas redes sociais, Ciro citou nominalmente o deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, o ministro da Educação, Camilo Santana, e a própria Janaína, que já havia atuado como suplente de Santana no Senado. Sem apresentar provas, afirmou que “as delegacias de educação estão loteadas pelo senhor da cueca, que também quer ser senador do Ceará“, em referência a Guimarães. Em seguida, intensificou as acusações.

“Também, pudera, a pessoa que recrutava moças pobres, de boa aparência, para fazer o serviço sexual sujo do seu Camilo Santana virou senadora do Ceará. Agora é prefeita num município do Ceará. E isso é um desafio para o qual os meus queridos amigos estão me chamando para encarar. É para eu encarar? Eu vou encarar”, declarou, sem detalhar as acusações.

Em conversa posterior com jornalistas, Ciro evitou confirmar que será candidato ao governo do Ceará em 2026. Disse apenas estar disposto a enfrentar “qualquer desafio” pela oposição, reforçando que ainda não definiu se disputará novamente o Palácio da Abolição.

Janaína, que foi assessora especial de Camilo Santana durante seus dois mandatos à frente do governo estadual e ocupou cargos no Ministério da Educação, respondeu com veemência. Em nota publicada no Instagram, afirmou que Ciro é conhecido “por agredir moralmente as pessoas e, principalmente, as mulheres”.

“Um misógino que, cada vez mais, diante de seu fracasso político, busca atingir a honra das pessoas, de forma irresponsável e inconsequente”, disse a prefeita. Ela ainda defendeu Camilo, a quem descreveu como “um homem de coração enorme, que sempre cuidou bem do povo e que só pensa em ajudar”.

A prefeita destacou a trajetória de 17 anos ao lado do ministro da Educação, afirmando que ele sempre a apoiou em sua vida política e que foi quem lhe deu a oportunidade de se tornar senadora como suplente. Hoje, segundo ela, Camilo também respalda sua gestão em Crateús.

Nos últimos meses, Ciro tem se aproximado de setores da oposição no Ceará. Em maio, participou de reunião na Assembleia Legislativa com parlamentares do PL e do União Brasil, ocasião em que declarou estar disposto a “ir para o sacrifício” e disputar novamente o governo estadual. A fala, contudo, foi interpretada como uma provocação, sem confirmação de candidatura real. Pouco depois, em coletiva, defendeu que Roberto Cláudio seria o nome mais competitivo do grupo para enfrentar os petistas em 2026.

Nos bastidores do PDT, sua saída é dada como provável. O ex-governador recebeu convites formais para se filiar ao União Brasil e ao PSDB, partido que negocia fusão com o Podemos. Entre os defensores de sua ida para os tucanos está o ex-senador Tasso Jereissati.

Apesar dos convites, há resistências regionais. No Ceará, o Podemos é presidido por Bismarck Maia, pai do secretário de Turismo do governo Elmano, Eduardo Bismarck, ligado ao PT. Essa ligação complica uma eventual adesão de Ciro.

Internamente, parte da direção pedetista avalia que o ex-governador deveria permanecer no partido, sobretudo após o racha com seu irmão, Cid Gomes, no fim de 2023. O rompimento entre os dois girou em torno da aliança com o PT: enquanto Cid se reaproximou do governo federal e hoje apoia a base lulista no Senado, Ciro manteve uma postura de oposição aberta, tanto em âmbito estadual quanto nacional.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

 


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