De olho na promoção do Novo PAC e nas eleições municipais, o presidente Lula (PT) vai trocar as viagens internacionais, bastante recorrentes em 2023, para rodar o Brasil em 2024.

Lula fez 15 viagens internacionais e passou por 24 países neste ano. O objetivo, o petista repetiu à exaustão, era “restaurar a imagem do Brasil lá fora” após o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Para 2024, ele já anunciou que o foco será interno. Lula pretende lançar ou inaugurar obras do PAC em todos os estados, com uma ajudinha para os pré-candidatos nos palanques regionais.

Por ora, só há duas viagens internacionais previstas. O presidente deve ir à Etiópia, para participar da cúpula da União Africana, e à Guiana, para a conferência da Caricom, comunidade dos países caribenhos.

“Se preparem, porque eu vou percorrer o Brasil [em 2024]. Eu quero visitar o Brasil, quero visitar as cidades, conversar com prefeitos, com o povo, com os governadores”, disse Lula, em live no início de dezembro.

Pelo PAC

Lula pretende ir aos 27 estados brasileiros já no primeiro semestre, por causa da legislação eleitoral. O PAC é o principal programa de investimento do governo, com foco em infraestrutura, apesar da redução de investimento anual estipulada pelo Congresso no orçamento.

“2024 é um ano de entrega, de menos lançamentos e mais entregas”, afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, responsável pelo PAC, em coletiva após a última reunião ministerial, na última quarta (20). “O presidente tem dito que vai intensificar bastante sua agenda no país, viajar mais. O presidente quer colocar o pé na estrada, que é aquilo que ele gosta de fazer.”

Conversa com os governadores e demanda online. Rui Costa se reuniu em 2023 com todos os governadores para ouvir as prioridades de investimento e abriu uma iniciativa na internet para reunir demandas dos 5.565 municípios. “O desafio para 2024 é seguir nesse ritmo [de inauguração de obras]”, disse o ministro.

O movimento já começou neste ano, entre as viagens internacionais. Lula foi a pelo menos oito estados. Amapá e São Paulo foram visitados em dezembro.

De olho nas prefeituras

O presidente também vai aproveitar viagens para dar um empurrãozinho nos pré-candidatos regionais. Nos eventos, Lula tem pedido a seus ministros e aliados que chamem os parlamentares locais para as inaugurações, quando deverão ter a chance de falar e tirar uma foto com o petista.

O evento de São Paulo no último sábado (16) serve como exemplo. Lula foi a Itaquera lançar um projeto do Minha Casa, Minha Vida em um assentamento do MTST e chamou o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), ex-líder do movimento de moradia, para discursar.

Boulos é apoiado pelo PT na disputa à Prefeitura de SP. O partido de Lula deve indicar o vice na chapa. Já em ares de campanha, ele fez críticas à gestão Ricardo Nunes (MDB), que busca a reeleição, e agradeceu a parceria com o presidente, sem falar em campanha diretamente.

Essa estratégia também busca conseguir mais um dinheirinho para o PAC. O governo tenta atrair emendas parlamentares argumentando que o congressista teria sua obra concluída com mais agilidade e, se interessar, estaria junto a Lula no palanque de inauguração. Em ano eleitoral, a presença e os elogios de Lula não são pouca coisa, dizem governistas.

O ano da “reconstrução”

Neste ano, Lula estava de olho no exterior. Somando mais de dois meses fora, no exterior, o presidente participou de cúpulas internacionais, visitou líderes estrangeiros e assinou tratados bilaterais.

O próprio presidente admite o volume alto de viagens, mas justifica com a “reconstrução do país”. Ter uma política internacional forte, com boas relações com diferentes players globais, foi uma das marcas dos seus primeiros mandatos. Neste ano, ele só não foi à Oceania entre os continentes.

Eu viajei demais em 2023. Vocês sabiam que eu ia viajar, porque era preciso recuperar a imagem do Brasil e construir uma imagem positiva do Brasil no mundo. O Brasil voltou a ter importância. Nós vamos presidir o G20. Lula, sobre viagens, em reunião ministerial

Ele só foi mais de uma vez a dois países: Argentina e Estados Unidos. No país vizinho, foi à Celac em janeiro e voltou para a cúpula do Mercosul, em julho. Já na América do Norte, foi visitar o presidente Joe Biden, em fevereiro, e retornou para a ONU, em setembro.

Ele só interrompeu viagens para realizar a operação no quadril. O presidente passou por uma cirurgia em 29 de setembro deste ano, mas continuou despachando do Alvorada. O petista voltou ao exterior quase dois meses depois, quando viajou para a Arábia Saudita, em novembro.


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