O presidente Lula (PT) provocou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em encontro com a FNP (Frente Nacional de Prefeitos) hoje. Sem citar o adversário nominalmente, o petista disse que gosta de ser presidente —e que é bom no que faz.
Ele participou do encerramento do encontro anual dos prefeitos, acompanhado de sete ministros, com administradores municipais de todo o país, incluindo partidos da oposição. Como tem feito, ressaltou a importância das cidades, pregou união entre os entes federativos e lembrou que Bolsonaro não ia a estes encontros.
O que Lula disse aos prefeitos:
Prometeu mais diálogo direto com os municípios, com diálogos concentrados não só nos ministérios das Cidades ou das Relações Institucionais, mas em todas as pastas.
Prometeu mais repasses em diferentes áreas, destacando saúde, educação e mobilidade urbana — área muito requerida pelos municípios.
Pregou a valorização da boa política, como faz historicamente, e disse que prefere “um político competente a um técnico”.
Destacou que as portas do Palácio do Planalto estão abertas.
“Se uma vez nós tivemos um presidente que dizia ‘não gosto de ser presidente, não deveria estar aqui’. Quero dizer a vocês que gosto de ser presidente e gosto de estar lá para provar que é possível a gente fazer as coisas que a gente tem que fazer”, disse Lula a prefeitos.
Bolsonaro já reclamou do cargo de presidente da República em mais de uma ocasião enquanto exercia o cargo (2019-2022). Em conversa com empresários em junho do ano passado, por exemplo, o ex-presidente disse que não levava jeito para ocupar a função.
“Não podemos dissociar a economia da política. [Eu] não tinha nada para estar aqui [na Presidência]. Nem levo jeito. Nasci pra ser militar, fiquei por 15 anos no Exército brasileiro, entrei na política meio por acaso. Passei 28 anos dentro da Câmara [dos Deputados]”, disse Bolsonaro, na época.
O presidente debochou ainda do argumento contra a política. Personagens antissistema, como se apresentou o ex-presidente Bolsonaro na eleição vitoriosa de 2018, têm sido alvos do petista desde a prisão, naquele ano.
“Eu gosto de político. Tem gente que fala: ‘Político é tudo ladrão’. Mas o político, a cada quatro anos, vai para rua colocar o nome dele em julgamento para ser xingado, avacalhado. Eu aprendi a ser político, aprendi a gostar de política, aprendi a respeitar os políticos”, defendeu.
“Prefiro um político competente do que um técnico, porque um político entende um pouco de tudo, e, muitas vezes, o técnico não entende de nada. O técnico tem que ter um chefe, e esse chefe chama-se um político, que tem competência para saber orientar”, disse Lula a prefeitos.

