As forças israelenses e o Hamas travaram fortes batalhas em toda a Faixa de Gaza nesta sexta-feira (15), disseram testemunhas. A ofensiva terrestre de Israel encontrou resistência mais rígida, à medida que os Estados Unidos (EUA) pressionam seu aliado a mudar uma estratégia que causou enorme número de mortes de civis.

Moradores do pequeno enclave relataram combates em Sheijaia, Sheikh Radwan, Zeitoun, Tuffah e Beit Hanoun, no norte de Gaza, a leste de Maghazi, no centro do território, e no centro e na periferia norte da principal cidade do sul, Khan Younis.

Os hospitais de Deir al-Balah, Khan Younis e Rafah registraram novo fluxo de mortos e feridos hoje, incluindo duas crianças. Quatro pessoas foram mortas em um ataque aéreo israelense a uma casa em Rafah, e tanques israelenses bombardearam alvos a leste da cidade, perto da fronteira egípcia, disseram médicos.

Os militares israelenses informaram, em atualização nesta sexta-feira, que suas forças destruíram um centro de comando e controle do Hamas no distrito de Sheijaia, na cidade de Gaza, e realizaram “ataque direcionado” à infraestrutura militante em Khan Younis.

Os pesados combates, confirmados por muitos moradores e fontes militantes contactados pela Reuters, levantaram questões sobre se a blitz aérea e terrestre de dois meses de Israel em Gaza havia enfraquecido significativamente o Hamas.

“A Faixa de Gaza se transformou em uma bola de fogo durante a noite, podíamos ouvir explosões e tiros ecoando de todas as direções”, disse Ahmed, de 45 anos, um eletricista que falou à Reuters de um abrigo em uma área central da faixa costeira, densamente povoada.

“Eles podem destruir casas e estradas e matar civis pelo ar ou por meio de bombardeios cegos de tanques, mas quando ficam cara a cara com a resistência, eles perdem. Não temos nada a perder depois de tudo o que fizeram com Gaza”, afirmou.

O implacável bombardeio israelense destruiu grande parte da Faixa de Gaza nos últimos dois meses, com quase 19 mil pessoas confirmadas como mortas, de acordo com autoridades de saúde palestinas, e milhares de outras pessoas provavelmente sob os escombros.

Israel lançou seu ataque em retaliação a um bombardeio do Hamas, grupo apoiado pelo Irã que governa Gaza, cujos combatentes invadiram comunidades israelenses próximas, mataram 1.200 pessoas e fizeram 240 reféns em 7 de outubro.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse ao assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, que Israel estará em guerra com o Hamas “até a vitória absoluta”. “Isso durará mais do que vários meses, mas nós venceremos e os destruiremos”, afirmou o ministro da Defesa, Yoav Gallant.

Não houve nenhum sinal de interrupção das hostilidades, e as afirmações israelenses no fim de novembro, de que haviam dominado amplamente o norte de Gaza, que é altamente urbanizado, parecem não ser verdadeiras.

A propagação da guerra terrestre, após pausa de uma semana que permitiu a libertação de alguns reféns, frustrou os planos de intensificar as entregas de suprimentos básicos desesperadamente necessários para que os civis sobrevivam.

Mais de 80% dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados, alguns repetidamente.

Mudança da estratégia

Washington vem pressionando Israel há semanas para que faça mais para proteger os civis de Gaza, conforme se intensifica o clamor global sobre a catástrofe humanitária que se espalha, com a paralisação do atendimento médico e a indisponibilidade generalizada de alimentos, combustível e água potável.

O assessor de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, conversou com autoridades de Israel na quinta-feira sobre a mudança de sua estratégia militar em Gaza, de uma ampla ofensiva terrestre para ataques de precisão contra o Hamas, a fim de proteger melhor os civis.

Houve discussão nessas reuniões, em nossos encontros anteriores e em telefonemas entre o presidente (Joe Biden) e o primeiro-ministro israelense (Benjamin Netanyahu), sobre uma espécie de mudança na ênfase das operações de desobstrução de alta intensidade, que estão em andamento agora, para um foco de menor intensidade em alvos de alto valor, ataques conduzidos por inteligência, esses tipos de objetivos militares mais estreitos e cirúrgicos”, disse uma autoridade de alto escalão do governo dos EUA que pediu para não ser identificada.

Mas seria “irresponsável” dar prazos específicos para essa mudança, disse a autoridade em entrevista sobre a visita de Sullivan a Israel.

Israel afirma que o Hamas usa civis e prédios civis como escudos, uma alegação que o grupo nega, mas tanto aliados quanto adversários, bem como a ONU e grupos humanitários e de direitos, dizem que Israel tem feito muito pouco para proteger os civis.


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