A Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizará uma visita ao Povo Puri, comunidade indígena que vive na região do Rio Doce, nesta segunda-feira, a partir das 9 horas. A atividade ocorrerá na Usina Hidrelétrica de Aimorés, situada na Fazenda Viçosa, no Distrito de Santo Antônio do Rio Doce, em Aimorés.
O objetivo da visita é avaliar as condições das mais de 50 famílias indígenas da etnia Puri, que recentemente ocuparam uma área da usina, localizada em Itueta, também no Vale do Rio Doce. Essa ocupação, chamada de “retomada indígena”, é uma ação em que povos indígenas buscam retomar áreas que consideram de direito histórico e cultural.
Os indígenas Puri reivindicam a área como parte de suas terras ancestrais, e essa hidrelétrica abrange os municípios de Aimorés, Resplendor e Itueta. Segundo informações, ao ocuparem essa área em setembro deste ano, os Puri reforçaram a luta pela recuperação de seu território na Bacia do Rio Doce.
Para a visita, foram convidados o coordenador do Programa Médio Rio Doce da Associação Estadual de Defesa Socioambiental, Henrique Lacerda Arruda, e a cacique do Povo Indígena Puri, Ednea Dias Sérgio Amon.
Historicamente, o povo Puri habitava uma ampla faixa de terra que se estendia do Espírito Santo até São Paulo, passando pelo interior do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Embora fossem uma população expressiva no século XVIII, enfrentaram violência e escravidão à medida que essas áreas ganhavam importância na economia colonial, levando muitos a acreditar que estavam extintos no início do século XIX.
Andreia Baia Prestes, advogada e antropóloga de origem Puri, ressalta que seus ancestrais sofreram desterritorialização e apagamento histórico. Ela afirma que, ao longo dos séculos, a resistência cultural Puri desmente a narrativa de sua extinção. “Apesar de não termos um território oficialmente reconhecido pela legislação atual, hoje existem comunidades Puri em áreas rurais de Minas Gerais e Rio de Janeiro”, afirmou em seu artigo “Territórios Puri na Contemporaneidade”.
Foto: Daniel Protzner

