A criação do Comitê Gestor do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados junto à União (CGPropag), formalizada nesta quinta-feira (5 de junho), ampliará a influência do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), nas tratativas de adesão do Estado ao programa. Pré-candidato ao governo mineiro em 2026, Simões foi indicado pelo governador Romeu Zema (Novo) para presidir o comitê.

Embora a instituição do CGPropag não seja uma exigência do programa federal, regulamentado pelo Ministério da Fazenda, sua criação teria partido de uma iniciativa do próprio vice-governador. Na presidência do comitê, Simões terá a palavra final sobre as medidas exigidas como contrapartidas ao Propag, além de ser o responsável por assinar os documentos necessários.

A primeira reunião formal do CGPropag está prevista para ocorrer na próxima sexta-feira (13 de junho). Antes mesmo da formalização, os seis secretários estaduais que integram o comitê já haviam se reunido informalmente. A oficialização ocorreu no mesmo dia em que o texto-base da adesão de Minas ao programa foi sancionado por Zema.

Nas últimas semanas, Simões já vinha desempenhando papel central nas discussões sobre o Propag. Na véspera de ser oficializado como presidente do comitê, esteve em Brasília, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), onde questionou as estimativas para a precificação de estatais mineiras.

No mês passado, o vice-governador participou de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em que detalhou, por cinco horas, os termos da proposta do governo estadual para a adesão ao Propag. Durante a audiência, destacou que era “a primeira vez na história do Estado que o Executivo se desloca até à Casa para uma apresentação”.

Na véspera dessa audiência, Simões já havia comparecido pessoalmente à ALMG para protocolar as propostas relacionadas ao Propag, acompanhado pelo secretário de Governo, Marcelo Aro, e pelo líder do governo na Assembleia, deputado João Magalhães (MDB). Na ocasião, fez um breve pronunciamento à imprensa.

A renegociação da dívida de Minas com a União tem sido um dos principais temas em debate no Estado, marcada por impasses desde a tentativa do governo Zema de aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). O Propag surgiu como alternativa ao RRF, articulada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD), também cotado como possível candidato ao governo estadual em 2026, em conjunto com o Ministério da Fazenda.

A nomeação de Simões para presidir o CGPropag se soma a outras participações recentes em temas de grande visibilidade no governo mineiro. Em maio, ao ser decretada emergência sanitária animal no Estado, devido à detecção de um caso de gripe aviária, o vice-governador foi o porta-voz oficial do Executivo, enquanto Zema cumpria agenda em El Salvador.

Como o próprio Simões já declarou publicamente, ele deve assumir o comando do governo mineiro em março de 2026, quando Zema, que articula uma candidatura à Presidência da República, precisará renunciar para cumprir o prazo legal de desincompatibilização exigido pela Lei das Eleições.

Foto: Cristiano Machado/Imprensa MG


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