Nos dias 20 e 21 de maio, a Sala Minas Gerais, em Belo Horizonte, se transformou em palco de encantamento e descoberta para 1.186 estudantes e professores da rede pública de Contagem. Vindos de 24 escolas de ensino fundamental e unidades da Fundação de Ensino de Contagem (Funec), eles participaram do projeto “Concertos Didáticos”, promovido pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. A experiência foi conduzida pelo maestro José Soares, que guiou os jovens ouvintes por uma jornada musical com obras de Grieg, Tchaikovsky e John Williams, numa imersão sensorial e educativa pelo mundo mágico da música orquestral.
Durante o espetáculo, a pergunta que conduzia a narrativa era: “Existe algum segredo na música de orquestra?”. A resposta veio em camadas, revelada a cada nota, gesto do maestro e som produzido pelos instrumentos. O repertório incluiu o “Amanhecer” norueguês, o sombrio “Salão do Rei da Montanha”, trechos do balé “O Quebra-Nozes”, do “Lago dos Cisnes” e a trilha icônica de “Harry Potter”, que iluminou os olhos atentos do público ao ecoar pelas paredes da sala.
Os alunos reagiram com fascínio à sonoridade incomum dos instrumentos. Espantaram-se com o som cintilante da celesta, com a profundidade do contrabaixo, com os timbres instigantes do oboé e do clarone. Jean Pablo Santos, estudante da Escola Municipal Joaquim Teixeira Camargos, resumiu a euforia: “Achei que os músicos tocam muito bem! Gostei dos instrumentos, que são muito legais. O show foi fantástico!”. Tocando flauta, ele se identificou especialmente com esse instrumento no concerto. Sua colega, Valentina Oliveira, também saiu maravilhada: “Gostei demais de tudo, dos instrumentos. Nunca tinha visto um violino”.
A vice-diretora da Escola Municipal Walter Fausto, Heloísa Fernandes, destacou o entusiasmo das turmas com a oportunidade. “Recebemos o contato da orquestra e fizemos um sorteio das turmas. Também tivemos uma monitoria que apresentou o projeto às crianças e deu uma prévia do que elas veriam. Isso despertou ainda mais interesse”.
Outras alunas, como Yasmin de Paula, Nathalie Emanuelle e Sofia Isabella, da Escola Municipal Giovanini Chiodi, aprovaram com entusiasmo: “Achei muito legal e acho que devia ter mais shows assim”, disse Yasmin. Nathalie elogiou a execução da trilha de “Harry Potter” com o apagamento das luzes, enquanto Sofia completou: “Todas as partes foram bonitas”.
Para a vice-presidente da Funec, Telma Fernanda, a atividade teve impacto significativo: “Foi nota mil. Levar os alunos para vivências fora da escola contribui muito na formação deles, influencia positivamente o aprendizado e a sensibilidade dos jovens”.
O gerente de Ensino Profissionalizante da Funec, Reinaldo Nogueira dos Santos, reforçou a relevância do projeto: “Buscamos integrar essa parceria cultural ao nosso trabalho pedagógico, inserindo a música como eixo interdisciplinar. Muitos desses estudantes talvez nunca tenham uma nova oportunidade como essa”.
Estudantes da unidade Funec Oitis também compartilharam impressões marcantes. “Foi mágico, encantador e incrível. Traz uma tranquilidade e uma leveza para a mente e o coração”, contou Rafaelly Vitória. Raphaelly Cristina, que integrou a Orquestra Jovem de Minas Gerais, observou: “Não é apenas música. Tem cultura, história e outros significados por trás”.
Além da execução musical, os alunos assistiram a uma verdadeira aula sobre a arquitetura acústica da Sala Minas Gerais, conduzida pelo percussionista Werner Silveira. Ele explicou o funcionamento das cortinas acústicas, os efeitos de sons delicados como o triângulo, e o impacto do silêncio atento como ferramenta de escuta ativa.
No clímax do espetáculo, quando a batuta de José Soares assumiu o papel de varinha mágica e a música de “Harry Potter” ecoou entre as poltronas, ficou evidente que o verdadeiro segredo da orquestra vai além da técnica. Está nos músicos, sim, mas, sobretudo, no público jovem que transforma cada nota em emoção e descoberta.
No encerramento, o maestro convocou os alunos a multiplicarem o que viveram: “Vocês agora são aprendizes de feiticeiro! Levem essa magia da orquestra para mais pessoas”. Um convite à sensibilização coletiva por meio da música.
O projeto “Concertos Didáticos” é uma iniciativa da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde sua fundação, em 2008. Ele surgiu com o propósito de democratizar o acesso à música de concerto, promovendo a inclusão cultural e o estímulo à escuta atenta, à criatividade e ao desenvolvimento cognitivo de crianças, adolescentes e adultos.
De acordo com o coordenador de Projetos Educacionais da Filarmônica, Gabriel Cunha, a proposta vai muito além do entretenimento: “A música estimula a criatividade, a sensibilidade e o desenvolvimento intelectual e motor. Os concertos são pensados para inspirar e transformar o cotidiano dos participantes, oferecendo experiências marcantes”.
O projeto é realizado em duas edições por ano, com cinco apresentações em cada edição. As inscrições das escolas participantes são feitas com a mediação das secretarias municipais de Educação, parceiras fundamentais do programa. “Iniciamos os preparativos pelo menos quatro meses antes da realização dos concertos. As secretarias são importantes por conhecerem a rede e facilitarem o contato com as escolas”, explicou Gabriel.
Além das escolas públicas, o projeto também atende instituições sociais, especialmente aquelas que trabalham com crianças com deficiência. “Isso é muito importante para nós. Buscamos promover a inclusão e a diversidade de experiências”, completou Gabriel. Toda a participação é gratuita.
Um dos diferenciais dos Concertos Didáticos é a realização de Oficinas Preparatórias, semanas antes da apresentação. Cada escola recebe a visita de um monitor capacitado, que conduz uma oficina de uma hora com os estudantes. O objetivo é prepará-los para a vivência na Sala Minas Gerais, explicando o funcionamento da orquestra, os instrumentos, a dinâmica de um concerto e o tema da edição.
Essas oficinas incluem práticas de musicalização coletiva e introdução aos elementos musicais, promovendo uma escuta ativa e crítica durante a apresentação. A preparação prévia contribui para que os alunos estejam engajados e receptivos, o que aumenta a qualidade da experiência vivida.
Desde a sua criação, mais de 90 mil pessoas — entre estudantes e professores — já participaram dos Concertos Didáticos. Atualmente, a média por edição é de 7.465 participantes, reunidos a partir de aproximadamente 160 escolas e instituições.
A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais foi fundada em 2008 pelo Governo de Minas, com gestão do Instituto Cultural Filarmônica. Desde então, é conduzida pelo maestro titular e diretor artístico Fabio Mechetti, profissional de destaque internacional com passagens por orquestras na América, Europa e Ásia.
A orquestra conta com cerca de 90 músicos de diversas nacionalidades, selecionados por meio de audições rigorosas. Seu repertório abrange desde o período barroco até a música contemporânea, com atenção especial a obras de compositores brasileiros. As apresentações ocorrem principalmente na Sala Minas Gerais, um espaço moderno e de alta qualidade acústica, projetado especialmente para música sinfônica.
A Filarmônica realiza turnês nacionais e internacionais, séries temáticas, atividades de inclusão e educação, sempre com o compromisso de ampliar o acesso à música de concerto e formar novos públicos em Minas Gerais e no Brasil. O projeto Concertos Didáticos se destaca nesse cenário como uma das principais ações educativas da instituição, e reforça o poder transformador da arte na formação humana.
Foto: Ricardo Lima/PMC

