A sessão plenária do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, realizada em 23 de abril de 2025, marcou a despedida do conselheiro Mauri Torres. Durante a cerimônia, o presidente do TCE mineiro, conselheiro Durval Ângelo, preferiu não usar o termo “aposentadoria” para se referir ao colega. Para Durval, “aposentar é se recolher à vida privada e encerrar a atuação pública”, enquanto “jubilar” significa seguir contribuindo com experiência e ensinamentos. Segundo ele, Mauri continuará oferecendo sua sabedoria e compromisso com o interesse público.
Durval também recordou a trajetória de amizade com Mauri, iniciada ainda na juventude, na época em que o futuro conselheiro atuava na Pastoral Operária Católica de João Monlevade. Posteriormente, os dois se reencontraram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais como deputados e, depois, como colegas no Tribunal de Contas. “A palavra do Mauri sempre foi de conciliação, consenso e entendimento, seguindo a tradição da mineirice”, relatou.
Os conselheiros e conselheiros-substitutos que participaram da homenagem destacaram a defesa da autonomia dos municípios como uma das principais marcas da atuação de Mauri. Para o conselheiro-substituto Adonias Monteiro, o fortalecimento dos municípios é fundamental para a execução das políticas públicas e o bem-estar do cidadão.
Hamilton Coelho, também conselheiro-substituto, definiu Mauri como “polido e conciliador”. Já o conselheiro Gilberto Diniz ressaltou o perfil agregador de Mauri, que sempre buscou reunir pessoas em torno de ideias voltadas ao interesse público.
O conselheiro-substituto Telmo Passareli relembrou a recepção acolhedora que teve ao ingressar no Tribunal. “Foi a primeira autoridade com quem tive contato. Um grande mestre”, destacou. Passareli ainda elogiou a condução dos trabalhos durante a pandemia da Covid-19, período em que Mauri manteve o funcionamento pleno do Tribunal, garantindo fiscalização e a continuidade das atividades institucionais.
Daniel de Carvalho, subprocurador-geral do Ministério Público de Contas, também prestou homenagem ao conselheiro. Ele enfatizou a paciência, a preferência pelo contato presencial e a seriedade com que Mauri exercia seu papel público. “De poucas e bem medidas palavras, um exemplo para todos nós”, pontuou.
Durval Ângelo, visivelmente emocionado, citou uma frase do Papa Francisco, falecido recentemente, para homenagear Mauri: “Somos portadores de uma grande riqueza, que depende daquilo que somos: da vida recebida, do bem que há em nós, da beleza intangível com que Deus nos dotou.”
Mauri José Torres Duarte exerceu o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais por 14 anos, tendo presidido a instituição em dois biênios, 2019-2020 e 2021-2022. Na segunda gestão, reassumiu a presidência após o afastamento do então presidente José Alves Viana, por motivos de saúde.
Natural de Guararema, interior de São Paulo, Mauri cresceu em Nova Era e João Monlevade. Iniciou sua carreira profissional como contínuo na prefeitura e, pouco depois, tornou-se chefe do setor de contabilidade, cargo que ocupou até a década de 1980.
Reconhecido pelo trabalho desenvolvido nas administrações municipais, Mauri elegeu-se deputado estadual pela primeira vez em 1990. Foi reeleito por cinco mandatos consecutivos, totalizando 20 anos de atuação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Entre 2003 e 2006, presidiu a Assembleia em dois mandatos consecutivos, destacando-se pela defesa da transparência, da austeridade administrativa e da participação popular. Sua eleição consecutiva para o comando da Casa foi inédita na história da instituição.
Em 2011, foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, encerrando assim um ciclo importante de dedicação à vida pública mineira.
Foto: Daniele Fernandes

