A Prefeitura de Contagem decretou situação de emergência em saúde pública diante do aumento expressivo de doenças respiratórias registrado nas últimas semanas. A medida foi anunciada nesta terça-feira, sete de abril, com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta da rede municipal de saúde, especialmente nas unidades de urgência e emergência.
O cenário preocupa principalmente por atingir com maior intensidade crianças e idosos, considerados grupos mais vulneráveis a complicações respiratórias. Com o decreto, a administração municipal passa a ter maior agilidade para adotar ações emergenciais, como a contratação de profissionais de saúde, aquisição de medicamentos e reforço na estrutura de atendimento.
Segundo o prefeito Ricardo Faria, o aumento nas notificações de síndromes respiratórias foi determinante para a decisão. Ele destacou que as Unidades de Pronto Atendimento vêm registrando crescimento significativo na demanda, o que tem provocado aumento no tempo de espera e pressão sobre os serviços hospitalares.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, somente neste ano foram contabilizados mais de quinze mil atendimentos de urgência e mais de oito mil na Atenção Primária. Entre esses registros, destacam-se milhares de notificações de síndrome gripal e centenas de casos de síndrome respiratória aguda grave. Também houve aumento no número de óbitos em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O comparativo entre dois mil e vinte e cinco e dois mil e vinte e seis evidencia a intensificação da demanda. Nas UPAs, os atendimentos cresceram de forma acelerada ao longo dos primeiros meses do ano, com aumento superior a cem por cento em alguns períodos. Já os casos com sintomas respiratórios passaram a representar parcela maior dos atendimentos, indicando agravamento do quadro epidemiológico.
No atendimento pediátrico, a situação também é preocupante. Houve aumento no número total de atendimentos, mas o crescimento mais expressivo ocorreu entre os casos de doenças respiratórias, que praticamente dobraram em relação ao ano anterior. Crianças com menos de dois anos têm apresentado quadros mais graves, exigindo internações mais longas e maior atenção médica.
O secretário municipal de Saúde, Fabrício Simões, afirmou que o decreto permite uma resposta mais rápida e eficiente diante da escalada dos casos. Segundo ele, a medida é essencial para garantir assistência adequada à população e evitar colapso no sistema de saúde.
Entre as ações já adotadas estão a ampliação de leitos de terapia intensiva pediátrica no Centro Materno Infantil, o reforço nas equipes médicas e de enfermagem e a reorganização dos fluxos de atendimento nas unidades. Também foi garantido o abastecimento de insumos, medicamentos e equipamentos necessários para atender à demanda crescente.
A ampliação da estrutura assistencial será feita de forma gradual, conforme a evolução dos casos. A Secretaria de Saúde informou que o cenário será monitorado diariamente, com possibilidade de adoção de novas medidas caso haja agravamento da situação.
Além do reforço na rede hospitalar, a prefeitura orienta a população a procurar as Unidades Básicas de Saúde em casos leves, evitando a sobrecarga das UPAs. A medida busca garantir que os atendimentos de maior complexidade tenham prioridade nas unidades de urgência.
Outro ponto central no enfrentamento da crise é a vacinação. A Campanha Nacional de Imunização contra a Influenza já está em andamento e tem como foco os grupos prioritários. A prefeitura também promove ações específicas, como o Dia D de vacinação, para ampliar a cobertura e reduzir a circulação de vírus respiratórios.
O prefeito Ricardo Faria reforçou a importância da adesão da população à vacinação, destacando que essa é uma das principais formas de prevenção. Ele alertou que a imunização é fundamental para proteger os grupos de risco e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.
Especialistas apontam que o aumento das doenças respiratórias nesta época do ano está relacionado a fatores sazonais, como mudanças climáticas e maior circulação de vírus. No entanto, o crescimento acelerado dos casos exige atenção redobrada das autoridades e da população.
Com o decreto de emergência, a Prefeitura de Contagem busca garantir uma resposta rápida e estruturada, minimizando os impactos da crise sanitária e assegurando atendimento adequado à população. A expectativa é que, com as medidas adotadas e a colaboração dos moradores, seja possível conter o avanço das doenças respiratórias nas próximas semanas.
Foto: Luci Sallum / PMC

