Cerca de 150 atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão estarão em Belo Horizonte na próxima segunda (17), para denunciar a falta de participação nas negociações sobre o acordo de reparação do crime cometido pelas empresas Samarco, Vale e BHP Billiton na Bacia do Rio Doce. No último dia 12, as empresas criminosas apresentaram uma contraproposta para o encerramento dos debates sobre os danos causados à sociedade e ao meio ambiente. No entanto, na avaliação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o andamento das negociações e os valores propostos estão longe de resolver a situação dos atingidos “Acompanhamos a situação há quase 9 anos. Sabemos bem os danos causados e os desdobramentos que seguirão impactando a vida dos atingidos. Nem os valores nem os moldes como este acordo está se construindo resolverá a situação”, pontua Thiago Alves, integrante da coordenação nacional do MAB e morador de Ipatinga.

Os atingidos do Rio Doce – moradores de cidades como Resplendor, Itueta, Ipatinga, Pedra Corrida, etc. – organizam uma mobilização no início da manhã na porta do Tribunal Regional Federal da 6º Região (TRF-6) onde ocorrem as tratativas sobre o acordo. Em seguida, a mobilização seguirá para a sede do Ibama, com o objetivo de denunciar a articulação que tem sido feita pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Na última semana, o instituto acionou o Supremo Tribunal Federal para impedir que municípios brasileiros entrem com processos em cortes internacionais. O que na avaliação do MAB é uma manobra para beneficiar as mineradoras e cercear o direito das populações atingidas “Acionar as cortes internacionais para garantir os direitos violados em nosso país tem se tornado um instrumento fundamental para a reparação aos crimes ambientais, isso se trata de justiça uma vez que elas exploram nosso país, violam nossas leis e tentam sair ilesas de seus crimes”, critica Joceli Andriolli, integrante da coordenação nacional do MAB.


Águas para a vida

Na parte da tarde, os atingidos acompanharão a audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais que debaterá a situação do abastecimento na região. Os moradores do médio Rio Doce denunciam que a água tem chegado às torneiras das casas com forte odor, concomitante ao agravamento de doenças como irritações na pele, problemas intestinais e alergias. Durante a audiência também serão debatidos documentos e análises que indicam que a água fornecida para o território não está potável.
Programação

8H30 – Tribunal Regional Federal (TRF-6) – Avenida Álvares Cabral – 1805

10H30 – Ibama – Avenida do Contorno – 8121

14H – Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais – Auditório da Comissão de Administração Pública

Fotos: Glênio Campregher; Wan Campos


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