Por Marco Aurelio Carone

Nos governos anteriores, sempre teve um interlocutor entre as empreiteiras e o governo. Isto acabou gerando um pesado esquema de corrupção que desaguou em diversos processos que tramitam nas diversas esferas da justiça, seja estadual ou federal.

Anunciando com aquele que adotaria uma nova maneira de governar, Zema vem mostrando-se incapaz de conter as mesmas práticas nas estatais, autarquias e administração direta do Estado de Minas Gerais.

Exemplo destas práticas, estão no apurado pela CPI da Cemig e agora na Copasa, que além de uma politica administrativa e financeira desastrosa, levando a empresa, perto da insolvência, promoveu a concentração de suas obras e investimentos em uma empresa, que passou a ser a única porta de entrada para conquistar obras.

Tudo através dos famosos consórcios, que já foram objeto de diversos questionamentos, pois em vez de concorrer entre si, as empresas formam um consórcio e todas ganham.

Diversos juristas entendem que a realização de consórcio para fins de participação de licitação, quanto a concertação de cartel pressupõe aproximação e contato entre empresas. Daí não ser nova a suposição de que os consórcios podem contribuir para aumentar o risco de cartelização.

Se tais consórcios ocorressem esporadicamente, em função da especificidade das obras, seria saudável, porém, transformou-se em regra na Copasa onde três empresas dominaram a execução das obras. As três juntas abocanharam quase metade do investido pela empresa, algo em torno de ½ bilhão de reais.

Esta participação só não foi maior devido a execução da principal obra desta administração, está sendo feita pela construtora Odebrecht, o sistema de captação, adução tratamento e distribuição de água no norte de Minas, captada no Rio São Francisco.

A presença do dirigente da principal integrante dos consórcios é permanente no gabinete do presidente da Copasa, o que aumentam as suspeitas, pois os demais empreiteiros sequer chegam na recepção de sua sala. Pois, sua empresa fora o faturado, através dos consórcios, já conseguiu R$ 280 milhões em obras.

A engenharia societária, a constante utilização de consórcios formados pelas mesmas empresas e o valor obtido com os mesmos chamam a atenção. Zema tenta apagar o fogo com o afastamento do presidente, porém, com certeza, independente do que fizer será questionado pelos órgãos fiscalizadores. Pois, segundo o integrante do Ministério Público, já existem provas da delicada relação entre o presidente da Copasa e o dirigente da principal empresa que comanda o esquema de consórcios.

Fonte: https://wwwapp.copasa.com.br/servicos/RDC/Rdc/