Para unificar a gestão de áreas verdes, protegidas e com potencial de reconstrução de Belo Horizonte, a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica criou o “Corredor Ecológico Espinhaço – Serra do Curral”. O decreto que valida o espaço foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira (7) e vai contemplar mais de 1,8 mil hectares de território.

Dentro do corredor de preservação estará a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Minas Tênis Clube, no Bairro Taquaril, até a Mineração Lagoa Seca, no Bairro Belvedere, passando por três parques municipais, pela Mata da Baleia e pelo Parque Estadual da Baleia.

Para o presidente da Fundação de Parques, Sérgio Augusto Domingues, a topografia da Serra do Espinhaço já cria um corredor natural que compreende toda a área que fará parte do Corredor Ecológico. Domingues explica que, na prática, o local é uma ferramenta de gestão centralizada de áreas protegidas que pode gerar redução de custos para o município.

Além da administração pública, o corredor também tem o objetivo de “proteger a diversidade biológica” dos locais. De acordo com Sérgio, no caso dos parques como o Parque das Mangabeiras, na região Centro-Sul de BH, que é rodeado por áreas urbanas e mineradoras, as espécies da fauna e flora ficam ilhadas e mais vulneráveis, devido a uma “diversidade genética reduzida” que acaba se tornando “uma clara ameaça de extinção”.

Gestão

O decreto que institui o Corredor prevê, ainda, para fins de gestão da área, a sua divisão em três zonas. A Zona de Proteção, composta por áreas de uso restrito, vai abranger as Unidades de Conservação públicas e privadas, de proteção integral e uso sustentável, os Parques Municipais e fragmentos de vegetação nativa bem preservados.

A Zona de Manejo e Recuperação, será composta por áreas degradadas com potencial de recuperação natural ou induzida a serem incorporadas na paisagem natural, visando promover a conectividade da paisagem e constituindo zonas temporárias, com a finalidade de deter a degradação dos recursos ou de restauração. Já a Zona de Uso Intensivo, será composta por áreas de uso antrópico consolidado já presentes no território até a data de publicação do decreto.

Mineração

Segundo o presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, Sérgio Augusto Domingues, no caso de futuros empreendimentos de mineração que possam querer se instalar no Corredor Ecológico, a documentação necessária se torna mais rígida. “O corredor ecológico apresenta o território como um valor insubstituível. A empresa teria que apresentar bons argumentos para que ele seja explorado”, disse.