A oposição bolsonarista utilizou o depoimento do fotógrafo Adriano Machado, da agência Reuters, à CPI que investiga os atos golpistas do 8 de janeiro para criticar o trabalho da imprensa. Ele foi ouvido como testemunha, não como investigado.
O que aconteceu
A convocação do fotojornalista foi feita a partir de requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE) com apoio dos demais parlamentares bolsonaristas. A justificativa foi ele ter “demonstrando familiaridade” com os invasores.
A estratégia dos bolsonaristas, que são minoria na comissão, foi atacar o jornalista e a imprensa em geral, chamada de “marrom“.
“Eu espero que Vossa Senhora não faça parte desse jornalismo moderno, que está desesperado por um clique, um jornalismo que tenta constantemente moldar a mente do leitor ou do telespectador, sugerindo aquilo que julgam ser as melhores ideias e escolhas, um jornalismo que busca influenciar as opiniões, tentando controlar o leitor ou o telespectador a todo custo“, Marco Feliciano (PL-SP), deputado federal.
Citando Allan dos Santos, Guilherme Fiúza e Paulo Figueiredo, diz que “canais sérios de comunicação estão à beira de cassação por não fazerem parte deste fétido e podre sistema regado a muita ideologia”.
Já os governistas evitaram fazer perguntas ao profissional, exaltaram a liberdade de imprensa e criticaram a tentativa de criminalizar a mídia.
“Uma pessoa que está num lugar e que tira uma foto e que coloca o seu registro nesta foto não é um infiltrado. Ele estava autoidentificado profissionalmente”, Senador Rogério Carvalho (PT-SE).
O profissional afirmou que, no dia dos atos, se sentiu ameaçado e foi obrigado por manifestantes a deletar imagens feitas da destruição do Palácio do Planalto.

