A CPI do INSS registrou um momento de tensão na madrugada desta terça-feira, quando o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), ordenou a prisão do ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva. A medida foi tomada imediatamente após o encerramento da oitiva, motivada por declarações consideradas contraditórias e pela alegação do depoente de que não teria sido convocado de forma adequada. Segundo o senador, Jucimar apresentou datas divergentes ao ser questionado sobre Acordos de Cooperação Técnica (ACTs), o que caracterizaria tentativa de “calar a verdade”.
Ao anunciar a decisão, Viana afirmou: “Por ter dito aqui que o senhor não foi convocado corretamente e por não ter dado as datas corretas que o promotor lhe perguntou sobre ACTs, o senhor está preso por calar a verdade”. Em seguida, determinou que a Secretaria-Geral e a Polícia Legislativa o conduzisse para lavratura do flagrante ainda dentro do Senado.
A ação encerrou abruptamente a sessão, que integra um conjunto de investigações sobre possíveis irregularidades em convênios usados para aplicar descontos indevidos em aposentadorias e pensões. De acordo com Viana, o ex-coordenador havia sido localizado horas antes nos arredores de Manaus por uma equipe da Polícia Legislativa, após apresentar dois atestados médicos que justificariam sua ausência em convocações anteriores.
Em suas redes sociais, o senador detalhou o ocorrido: “O servidor do INSS responsável por pagamentos apresentou dois atestados médicos e viajou para uma região próxima de Manaus, o que impediu sua presença na sessão. A Polícia do Legislativo, cumprindo ordem judicial, realizou uma operação emergencial durante a madrugada, localizou o servidor e o trouxe a Brasília por condução coercitiva, conforme previsto em lei”. Viana afirmou ainda que a oitiva buscava esclarecer “como os operadores do esquema conseguiram movimentar tanto dinheiro com tanta facilidade e se há outros servidores envolvidos na estrutura interna da Previdência Social”.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

