A instalação da CPI do INSS nesta quarta-feira (19) no Congresso Nacional revelou a fragilidade da base governista na articulação para a escolha do comando. O senador Omar Aziz (PSD-AM), candidato apoiado pelo Planalto e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi derrotado por Carlos Viana (Podemos-MG), que venceu a disputa com 17 votos a 13. O resultado foi atribuído à ausência de parlamentares governistas e à participação de suplentes do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que assumiram vagas de titulares.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), minimizou o impacto político da derrota, mas reconheceu falhas na condução do processo. “Temos maioria da composição e esta CPI não vai ser palanque da oposição. Isto está longe de ser uma tragédia para o governo, queremos investigação. Mas tivemos uma circunstância regimental. Os três primeiros suplentes são do PL, que ascenderam e fizeram a diferença. Não contávamos que o deputado Rafael, do MDB, estaria fora do Brasil, por exemplo. Esta situação será contornada. Teremos maioria e a CPI não será palco para likes da oposição”, afirmou.

Entre os ausentes estavam os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Cid Gomes (PDT-CE), além dos deputados Rafael Brito (MDB-AL), Mário Heringer (PDT-MG), Romero Rodrigues (Podemos-PB) e Bruno Farias (Avante-MG). O deputado Rogério Correia (PT-MG), suplente na comissão, destacou que o placar poderia ter sido revertido caso houvesse mais presença da base. “Dois nossos não vieram e votaram suplentes do PL, pela ordem da proporcionalidade segundo regimento do Senado; 17 a 14; 15 a 16 ganharíamos. O plano de reação está em formatação. A vice pode ser uma opção”, disse.

Ainda nesta tarde, governistas se reuniram para traçar estratégias. Estiveram presentes Randolfe Rodrigues, Paulo Pimenta (PT-RS) e Lindbergh Farias (PT-RJ). Entre as propostas, avalia-se buscar um acordo para a vice-presidência da comissão como resposta política, embora a função tenha pouco peso prático. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) defendeu diálogo com a nova presidência. “Temos que aceitar a derrota e ir para os requerimentos. Nós temos maioria, mas o pessoal tem que vir. O grande complicador será que a pauta é definida pelo presidente. Vamos ter que buscar alguma forma, tentar forçar acordo. O presidente Carlos Viana é de oposição, mas não mostra um radicalismo”, avaliou.

Já o deputado Alencar Santana (PT-SP) explicou o papel dos suplentes na votação. “O suplente é por ordem do bloco e os três primeiros suplentes são do PL na Câmara, por ser o maior partido. Rafael Brito estava em missão, Mário e Romero estavam fora.”

A estratégia do governo será concentrar esforços em vincular possíveis fraudes a gestões passadas e reduzir atritos em temas delicados, como convocações do ministro da Previdência, Carlos Lupi, do ex-ministro Wolney Queiroz, do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, e do ex-chefe Alessandro Stefanutto, que ainda serão discutidas pela comissão.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

 


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