O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta quinta-feira (13) que novas prisões devem ocorrer no âmbito das investigações sobre o esquema de desvios em aposentadorias e pensões. A declaração foi feita após a prisão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, detido pela Polícia Federal durante mais uma fase da Operação Sem Desconto.

Segundo Viana, o avanço das apurações tende a alcançar outros envolvidos. “Isso é só o começo. Tem muita gente que ainda vai ser presa. Tem muita estrutura pública que vai cair. Tem muita verdade que vai aparecer”, afirmou o parlamentar em publicação no X. Ele também confirmou que já há interessados em firmar acordos de delação premiada. “Há outras pessoas dispostas a fazer delação, inclusive a esta CPMI”, disse Viana a jornalistas ao ser questionado sobre a possibilidade de colaboração do empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos articuladores do esquema.

Stefanutto é investigado sob a suspeita de ter permitido irregularidades durante sua gestão. Ele assumiu o comando do INSS em julho de 2023, no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa do ex-presidente da autarquia classificou sua prisão como “ilegal” e afirmou: “Trata-se de uma prisão completamente ilegal, uma vez que Stefanutto não tem causado nenhum tipo de embaraço à apuração, colaborando desde o início com o trabalho de investigação”.

A nova etapa da Operação Sem Desconto cumpriu 63 mandados de busca e apreensão, incluindo ações direcionadas a parlamentares. Entre os alvos estão o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), que teria vendido um avião a uma entidade ligada ao esquema, e o deputado estadual do Maranhão Edson Cunha de Araújo, que presidiu uma associação de pescadores envolvida nos descontos irregulares. Ambos ainda não se manifestaram sobre a operação deflagrada nesta quinta-feira.

Carlos Viana afirmou que a Polícia Federal deve agora direcionar as investigações para o que ele chamou de “primeiro núcleo”, supostamente composto por “políticos, pessoas que de governo a governo ajudaram, incentivaram ou indicaram servidores envolvidos no esquema”. Ele reforçou que outros parlamentares podem estar implicados. “Os dois parlamentares não são os únicos. Há outros parlamentares que têm envolvimento e prestarão depoimentos no momento certo ao STF. Se a comissão entender que será necessária a convocação, ela será feita”, disse o senador. Questionado sobre os nomes, ele afirmou que não poderia revelá-los no momento.

Desde o início da CPI, já havia a expectativa de que a investigação alcançaria membros do Congresso. Em setembro, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), disse estar “muito convicto” de que a apuração chegaria a deputados e senadores. Em outubro, Gaspar afirmou que pretendia convocar Pettersen e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

À época, a imprensa revelou que uma das empresas de Rocha era administrada por Rodrigo Martins Correa, sócio da Voga, escritório responsável pela contabilidade de negócios ligados ao “Careca do INSS”, inclusive offshores. O senador declarou, por meio de sua assessoria, que a Voga presta serviços a ele há mais de dez anos e que desconhece os demais clientes do escritório.

Nesta quinta-feira, a CPI deve votar a convocação de Edson Araújo, um dos alvos da operação realizada pela Polícia Federal.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado


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