O número de brasileiros que têm nos aplicativos sua principal forma de intermediação de trabalho cresceu de forma expressiva em 2024, alcançando quase 1,7 milhão de pessoas. O dado representa um aumento de 25,4% em relação a 2022, quando esse contingente era de 1,3 milhão, revelando a expansão acelerada desse modelo de ocupação. Nesse intervalo, 335 mil pessoas ingressaram nesse tipo de atividade, ao mesmo tempo em que houve aumento da participação desses trabalhadores dentro do conjunto da população ocupada.
Em 2022, eles representavam 1,5% dos 85,6 milhões de trabalhadores do país, percentual que subiu para 1,9% entre os 88,5 milhões de ocupados registrados em 2024, de acordo com a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE. Segundo o analista Gustavo Geaquinto Fontes, a combinação de maior possibilidade de obtenção de renda e flexibilidade de jornada está entre os principais fatores que atraem trabalhadores para o setor.
Grande parte atua no transporte particular por aplicativo, seguido por entregadores e prestadores de serviços profissionais. O estudo indica que 72,1% dos trabalhadores por aplicativo estão na categoria de operadores de instalação e máquinas e montadores, que abrange motoristas e motociclistas, e essa predominância ajuda a explicar a forte presença masculina: 83,9% dos trabalhadores são homens, enquanto as mulheres representam 16,1%.
A informalidade também é um traço marcante: enquanto 44,3% da população ocupada atua sem vínculo formal, entre os trabalhadores plataformizados esse percentual sobe para 71,1%. O levantamento mostra ainda que 86,1% trabalham por conta própria e apenas 3,2% têm carteira assinada. Em termos regionais, o Sudeste concentra 53,7% dos trabalhadores por aplicativo, sendo a única região em que a participação sobre o total de ocupados supera a média nacional.
A pesquisa enfatiza que o levantamento considera apenas quem tem nas plataformas sua principal forma de trabalho, excluindo quem atua apenas de forma complementar. A discussão sobre eventual vínculo empregatício entre trabalhadores e empresas segue em análise
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

