O Santuário do Cristo Redentor, no alto do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, apresentou uma novidade durante as celebrações de Corpus Christi deste ano. Pela primeira vez, os tradicionais tapetes que ornamentam a festividade religiosa foram confeccionados com a técnica do patchwork, que utiliza retalhos de tecidos de diferentes cores, estampas e formatos para criar grandes painéis artísticos.

A iniciativa uniu fé, sustentabilidade e inclusão social. Os tapetes foram produzidos por mulheres em situação de vulnerabilidade social atendidas por projetos do Consórcio Cristo Sustentável. Participaram moradoras de diversas localidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, entre elas Seropédica, Nova Iguaçu, Madureira, Irajá, Rocinha, Horto, Cidade de Deus, Santa Teresa, Rio das Pedras e São Gonçalo.

A preparação dos trabalhos ocorreu ao longo de dois meses, período em que foram realizadas 25 oficinas de capacitação e produção. Na madrugada de Corpus Christi, os painéis confeccionados pelas participantes foram reunidos e montados no santuário, formando um grande mosaico colorido que chamou a atenção dos visitantes e fiéis.

Mais de 300 quilos de tecidos foram utilizados na iniciativa. Os materiais foram obtidos por meio de campanhas de arrecadação e parcerias com empresas e instituições. Após as celebrações religiosas, os tapetes não serão descartados. A proposta prevê que as peças integrem exposições futuras, cujas datas e locais ainda serão divulgados pelos organizadores.

A celebração religiosa teve início às 6h30, com a Adoração e Bênção do Santíssimo Sacramento conduzida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta. Os tapetes serviram como cenário para as atividades litúrgicas realizadas no principal cartão-postal da cidade.

Nos últimos anos, o Cristo Redentor tem apostado em materiais sustentáveis para a confecção dos tapetes de Corpus Christi. Em 2024, foram utilizados borra de café, serragem, cascas de ovos e sal. Os desenhos representaram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, além de imagens religiosas. Após a celebração, os resíduos foram destinados à compostagem.

Já em 2025, a decoração foi produzida com aproximadamente 460 quilos de tampinhas plásticas. O material recolhido posteriormente foi triturado e transformado em mobiliário por meio da técnica conhecida como madeira plástica, reforçando conceitos de economia circular.

Uma das participantes do projeto deste ano foi a artesã Maria Luíza dos Santos Souza, de 51 anos. Frequentadora de atividades sociais ligadas à Casa Sol, no Jardim Botânico, ela destacou o caráter inovador da iniciativa e afirmou acreditar que não existam registros de tapetes de Corpus Christi produzidos em patchwork.

Segundo Maria Luíza, participar da confecção dos painéis teve significado especial por unir tradição religiosa e criatividade artística. Ela destacou que as imagens de Irmã Dulce e de Nossa Senhora Aparecida foram as que mais lhe emocionaram durante a montagem.

Para o gestor e educador ambiental do Consórcio Cristo Sustentável, Marcos Martins, a proposta deste ano demonstra que práticas sustentáveis podem caminhar lado a lado com manifestações religiosas. Segundo ele, a experiência mostra que pequenas ações podem contribuir para transformar realidades sociais e ambientais sem abandonar a espiritualidade que marca a celebração de Corpus Christi.

Foto: Guilherme Silva


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