O Partido dos Trabalhadores segue como a legenda com maior preferência entre os brasileiros, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada neste domingo. O levantamento mostra que a sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é citada espontaneamente por 24% dos entrevistados quando perguntados sobre qual partido político mais representa suas posições. O Partido Liberal aparece em segundo lugar, com 12% das menções, consolidando-se como a principal força de oposição associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da liderança do PT, o grupo mais numeroso continua sendo o de brasileiros que afirmam não ter preferência partidária. Segundo os dados, 46% dos entrevistados disseram não se identificar com nenhuma legenda, percentual que, embora elevado, representa queda em relação à pesquisa anterior, divulgada em julho, quando esse grupo somava 51%. Nenhum outro partido ultrapassa a marca de 2% das citações espontâneas, incluindo o MDB, que aparece com esse percentual, enquanto outras siglas ficam abaixo disso.
A pesquisa foi realizada com 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 113 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 2 e 4 de dezembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança considerado padrão pelo instituto.
Historicamente, o PT atingiu seu maior patamar de preferência em setembro de 2022, durante o período eleitoral, quando chegou a 31%. O menor índice foi registrado em maio do mesmo ano, com 22%. Em 2024, o partido alcançou 27% em abril e, nas medições seguintes, oscilou para 23% nos meses de junho e julho, antes de voltar a crescer agora.
O desempenho do PL também chama atenção. Antes da filiação de Bolsonaro, em 2021, a legenda era lembrada por apenas 1% dos brasileiros. O índice subiu de forma significativa durante as eleições presidenciais de 2022, quando chegou a 11%, caiu no ano seguinte e voltou a crescer até alcançar o maior patamar da série atual.
Outro dado relevante do levantamento diz respeito à identificação ideológica dos eleitores. Uma pesquisa complementar do Datafolha revelou que há contradições entre a posição ideológica declarada e o apoio político. Entre os petistas, 34% afirmam se identificar como de direita ou centro-direita, enquanto 47% dizem ser de esquerda ou centro-esquerda. Outros 9% se colocam no centro e 9% afirmam não saber como se classificar.
Já entre os bolsonaristas, 76% se colocam à direita ou centro-direita, mas 14% afirmam se identificar com a esquerda ou centro-esquerda. Outros 8% se dizem de centro, enquanto 2% não souberam responder, indicando que a polarização política no país convive com sobreposições ideológicas e escolhas partidárias nem sempre lineares.
Foto: Paulo Pinto/Ag. PT

