O Senado Federal elegeu, neste sábado (1º de fevereiro), Davi Alcolumbre (União-AP) como presidente da Casa para um novo mandato de dois anos. Com 73 votos, o senador do Amapá retorna ao comando do Legislativo, cargo que ocupou entre 2019 e 2021. Ele sucede a Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de quem foi um dos principais aliados políticos.

Alcolumbre superou com larga vantagem seus adversários diretos na disputa: Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos Pontes (PL-SP), ambos com apenas quatro votos. Marcos do Val (Podemos-ES) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) também registraram candidatura, mas retiraram seus nomes durante os discursos no plenário.

A votação expressiva de Alcolumbre foi uma das maiores da história do Senado, ficando atrás apenas das eleições de José Sarney em 2003 e Mauro Benevides em 1991, ambos com 76 votos. O processo foi encerrado às 15h02, com a proclamação oficial do resultado feita às 15h20.

Durante seu discurso antes da votação, Alcolumbre mencionou desafios que o Congresso precisa enfrentar, como a polêmica em torno das emendas parlamentares. Ele também enviou um recado ao Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando a necessidade de respeito às prerrogativas do Legislativo.

O senador destacou seu compromisso com a democracia e criticou abordagens populistas e discursos simplistas difundidos nas redes sociais, que, segundo ele, distorcem debates importantes.

Apesar de estar afastado da presidência nos últimos quatro anos, Alcolumbre manteve-se influente no Senado por meio do comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Sua candidatura contou com apoio de diversas legendas, incluindo MDB, PSD, PL, União Brasil, PT, PP, PDT, PSB e Republicanos, formando uma ampla coalizão que garantiu sua vitória.

A composição política resultante da vitória de Alcolumbre inclui a distribuição de cargos estratégicos. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, deve assumir a primeira vice-presidência do Senado, que tradicionalmente foi ocupada pelo MDB nos últimos anos. Eduardo Gomes (PL-TO) é apontado como o principal nome para o posto. O PT, por sua vez, deve ficar com a segunda vice-presidência, uma posição menos influente do que a primeira secretaria, que ocupava até então. O ex-ministro da Saúde, Humberto Costa (PT-PE), é o indicado petista para a função.

A próxima etapa da definição da nova Mesa Diretora do Senado envolverá a eleição dos demais cargos. O acordo prevê a seguinte distribuição:

Primeira Secretaria: Daniella Ribeiro (PSD-PB);

Segunda Secretaria: Confúcio Moura (MDB-RO);

Terceira Secretaria: Chico Rodrigues (PSB-RR);

Quarta Secretaria: Laércio Oliveira (PP-SE).

A larga vantagem na eleição de Alcolumbre reforça uma tendência de votações expressivas e pouco contestadas no Senado. Em 2023, Rodrigo Pacheco foi reeleito por 49 votos a 32 contra Rogério Marinho (PL-RN). Em sua primeira eleição ao cargo, em 2019, Alcolumbre venceu com 42 votos, derrotando Renan Calheiros. Outros exemplos incluem José Sarney, que venceu Tião Viana por 49 votos a 32 em 2009, e Renan Calheiros, que derrotou Luiz Henrique por 49 votos a 31 em 2015.

O senador do Amapá tem bom trânsito tanto com a direita quanto com a esquerda, consolidando-se como um articulador habilidoso dentro da Casa. Durante os anos de Rodrigo Pacheco na presidência, Alcolumbre desempenhou papel crucial na negociação de emendas parlamentares e ocupação de cargos estratégicos.

É atribuída a ele, por exemplo, a influência na escolha de Juscelino Filho como ministro das Comunicações e Waldez Góes como ministro da Integração Nacional no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com 47 anos, Alcolumbre está em seu segundo mandato como senador, tendo sido eleito pela primeira vez em 2014. Sua trajetória política teve início em 2001, quando assumiu como vereador de Macapá aos 23 anos, pelo PDT. Em 2002, elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido, mas mudou de legenda em 2006, filiando-se ao PFL, que posteriormente se tornou DEM e, mais tarde, se fundiu ao PSL para formar o União Brasil.

Conhecido por seu estilo conciliador, Alcolumbre construiu nos últimos anos uma posição central nas negociações políticas do Congresso. Durante o governo de Jair Bolsonaro, manteve relação próxima com o Planalto, e, agora, no governo Lula, continua exercendo papel relevante nas articulações legislativas.

Desde que deixou a presidência do Senado em 2021, manteve-se em evidência ao presidir a Comissão de Constituição e Justiça, um dos colegiados mais importantes da Casa. Sua estratégia de manter-se influente sem ocupar a presidência foi descrita por ele próprio como parte de um “ciclo político”.

Integrantes do PT vêm classificando Alcolumbre como o “novo Lira”, comparando sua relação com o governo federal à postura de Arthur Lira (PP-AL) à frente da Câmara dos Deputados, marcada por uma dinâmica de negociações complexas e disputas de poder dentro do Congresso.

 

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado