A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, réu na ação penal sobre a tentativa de golpe que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), acredita que o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, deverá recuar das acusações feitas contra Torres durante a acareação marcada para a próxima terça-feira, dia 24. Os advogados de Torres avaliam que Freire Gomes não conseguirá sustentar ou detalhar as suspeitas que apontou contra o ex-ministro.

A acareação foi solicitada por Torres após Freire Gomes afirmar que o ex-ministro participou de reuniões de teor golpista. Torres nega as acusações. No procedimento, os dois ficarão frente a frente para esclarecer os pontos divergentes de seus depoimentos.

A defesa aposta no fato de que, ao depor ao STF como testemunha de acusação no mês passado, Freire Gomes já havia atenuado suas declarações. Durante depoimento anterior, em 2024, o general havia dito à Polícia Federal que Torres fornecia “suporte jurídico” ao plano golpista do governo Bolsonaro. Freire Gomes também havia afirmado que a “minuta golpista” discutida por Bolsonaro e comandantes militares seria a mesma que a Polícia Federal encontrou na residência de Torres.

No entanto, no depoimento mais recente ao Supremo, o general recuou e afirmou que não tinha certeza se o documento encontrado na casa de Torres era o mesmo discutido com os militares. Ele também não conseguiu especificar quantas vezes Torres teria participado das reuniões com teor golpista.

A defesa de Torres prepara uma perícia que, segundo os advogados, demonstrará que a minuta apreendida na residência do ex-ministro é diferente da que teria circulado entre os comandantes militares. A realização da perícia foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação no STF.

“A perícia vai demonstrar que a minuta do Google, encontrada na residência do ex-ministro da Justiça, nada tem a ver com a minuta do golpe, supostamente discutida com os comandantes militares”, afirmou Eumar Novacki, advogado de Anderson Torres, à “Coluna do Estadão”,.

Torres, em seu próprio interrogatório, também tratou o documento encontrado em sua casa como a “minuta do Google”, destacando que o material estava disponível na internet antes de ser apreendido pela Polícia Federal. Ele reiterou que nunca discutiu ou participou da elaboração daquele texto.

“Não é a minuta do golpe. Eu brinco que é a minuta do Google, né? Porque está no Google até hoje. Isso foi uma fatalidade. Eu nunca trabalhei isso. O documento era muito mal escrito. Não sei quem fez, não sei quem mandou fazer e nunca discuti esse tipo de assunto”, disse Torres durante seu depoimento a Moraes.

O ministro do STF também determinou que o Google informe quem disponibilizou o documento na internet, para ajudar a esclarecer a origem da chamada “minuta do Google”.

Inicialmente, Freire Gomes havia solicitado que a acareação fosse realizada por videoconferência, alegando que o deslocamento de Fortaleza, onde reside atualmente, até Brasília seria “excessivamente oneroso”. O general, que recebe salário mensal de R$ 38 mil, acabou voltando atrás e confirmou presencialmente sua participação no procedimento no STF.

Com informações do Estadão

Foto: Alan Santos/PR


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