As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 5,614 bilhões em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado representa uma queda significativa em relação ao mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 10,245 bilhões nas transações correntes.

O indicador reúne as operações de compra e venda de mercadorias e serviços, além das transferências de renda com outros países. A redução do déficit confirma uma tendência de melhora nas contas externas, sendo o terceiro mês consecutivo de queda, com recuo acumulado de US$ 12,1 bilhões no período.

De acordo com o Banco Central, o principal fator para a melhora foi o desempenho da balança comercial de bens. Em fevereiro, houve aumento de US$ 4,6 bilhões no superávit comercial, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela redução das importações.

As exportações brasileiras atingiram US$ 26,383 bilhões no mês, alta de 14,8% na comparação com fevereiro do ano anterior. Segundo o BC, os embarques estão em níveis recordes considerando o mês, o acumulado do ano e os últimos 12 meses, com crescimento disseminado em diferentes setores da economia.

Já as importações somaram US$ 22,876 bilhões, com queda de 5,1% na mesma base de comparação. A redução está associada à desaceleração da atividade econômica interna, reflexo da política monetária mais restritiva, marcada por juros elevados.

Com esse desempenho, a balança comercial registrou superávit de US$ 3,507 bilhões em fevereiro, revertendo o déficit de US$ 1,123 bilhão observado no mesmo período do ano passado. O resultado teve impacto direto na redução do déficit em transações correntes.

No acumulado de 12 meses até fevereiro, o déficit externo totalizou US$ 63,444 bilhões, o equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto. O valor é inferior ao registrado no mesmo período encerrado em fevereiro de 2025, quando o saldo negativo chegou a US$ 78,980 bilhões, ou 3,67% do PIB.

Segundo o Banco Central, a trajetória recente indica um cenário mais equilibrado das contas externas, com tendência de redução do déficit desde setembro de 2025, intensificada nos últimos meses.

O financiamento desse resultado negativo continua sendo feito principalmente por investimentos diretos no país, considerados mais estáveis e de longo prazo. Em fevereiro, esses investimentos somaram US$ 6,754 bilhões, abaixo dos US$ 10,039 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.

Mesmo com a redução pontual, o volume de investimentos diretos segue robusto. Em 12 meses até fevereiro, o total foi de US$ 75,852 bilhões, o equivalente a 3,24% do PIB, o que indica capacidade de financiamento do déficit externo com recursos de qualidade.

Além dos investimentos diretos, o país também registrou entrada líquida de US$ 5,366 bilhões em investimentos em carteira no mercado doméstico em fevereiro. No acumulado de 12 meses, esses ingressos somaram US$ 29,3 bilhões, revertendo o cenário de saída líquida observado no ano anterior.

Outro indicador relevante é o nível de reservas internacionais, que alcançou US$ 371,074 bilhões em fevereiro, com aumento de US$ 6,706 bilhões em relação ao mês anterior. Esse volume é considerado confortável para enfrentar eventuais choques externos.

Entre os componentes das contas externas, o déficit na conta de serviços permaneceu praticamente estável, em US$ 3,921 bilhões. Já a conta de renda primária, que inclui remessas de lucros e dividendos, registrou déficit de US$ 5,640 bilhões, levemente superior ao do mesmo mês de 2025.

Por outro lado, a conta de renda secundária apresentou resultado positivo de US$ 440 milhões, acima do superávit registrado no ano anterior. Esse item inclui transferências como doações e remessas sem contrapartida econômica.

O conjunto dos dados reforça a avaliação de que o setor externo brasileiro apresenta melhora consistente, sustentada pelo desempenho das exportações e por condições financeiras que favorecem a entrada de capitais.

A continuidade dessa trajetória dependerá do cenário internacional, do ritmo da atividade econômica interna e das condições de financiamento externo, fatores que seguem no radar das autoridades econômicas.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


Avatar

administrator