A Aliança Agrícola do Cerrado, processadora de grãos com sede em Uberlândia (MG), anunciou planos ambiciosos para expandir sua capacidade de produção e fortalecer sua presença no mercado asiático. A empresa pretende ampliar sua planta em Bataguassu (MS), elevando a capacidade de 336 mil para 700 mil toneladas até 2027, enquanto mantém a produção anual de 400 mil toneladas em São Joaquim da Barra (SP). Essa expansão será viabilizada por um aporte de R$ 147 milhões captados em 2023 via Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
O mercado asiático é vital para o agronegócio brasileiro. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que 82% das exportações de soja brasileira em 2024 foram destinadas à Ásia. “Nosso foco é ganhar competitividade nesse mercado estratégico”, afirma Danilo Dalia Jorge, CEO da Aliança Agrícola. Em 2023/24, a empresa movimentou 2,8 milhões de toneladas e faturou R$ 5 bilhões. A meta para 2024/25 é alcançar 3 milhões de toneladas e elevar a receita para até R$ 8 bilhões.
Além da Ásia, o Leste Europeu segue como um mercado-chave. Anualmente, a Aliança exporta 700 mil toneladas de soja para a região, especialmente para a Rússia, de onde também importa trigo. Em 2018, a empresa se tornou pioneira na importação de trigo russo, com um volume de 700 mil toneladas. No Brasil, a Aliança diversificou suas rotas de exportação, utilizando portos como o do Rio de Janeiro e os do Arco Norte, em Barcarena (PA) e Santana (AP), responsáveis por metade dos embarques.
A inovação no setor agropecuário não para por aí. A distribuidora Lavoro firmou parceria com a Allianz para ampliar o acesso a seguros agrícolas, um mercado que cresce lentamente devido aos cortes no Programa de Subvenção ao Prêmio pelo governo federal. A iniciativa permitirá que produtores paguem os prêmios com safras futuras, via contratos de barter. “Mudanças climáticas tornam o seguro indispensável para os agricultores”, diz Ruy Cunha, CEO da Lavoro.
Outro destaque é a Axia Agro, que busca expandir sua atuação em nutrição animal, segmento que hoje representa 25% de seu faturamento de R$ 1,3 bilhão. A meta é aumentar essa participação para 45% até 2027. Para isso, a empresa arrendou uma planta em Araguaína (TO), somando-a às instalações em Tangará (MT) e Ariquemes (RO), ampliando o abastecimento das 60 lojas no Centro-Oeste e Norte. O objetivo é operar 100 lojas até 2026.
Enquanto o setor privado avança, o governo também reforça sua atuação no agronegócio. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) será transformado em uma secretaria vinculada ao Ministério da Agricultura, recebendo R$ 160 milhões em investimentos para modernização. A medida visa melhorar previsões meteorológicas e alertas, essenciais para mitigar os impactos das mudanças climáticas na agropecuária.
Ainda sobre sustentabilidade, a greentech Morfo, em parceria com a Future Climate, lançou um sistema inovador para reflorestamento. Usando drones, sementes encapsuladas são dispersas sobre grandes áreas. O método, que já foi testado no sul da Bahia com 80% de sucesso, permite cobrir até 50 hectares por dia e reduz os custos em até 50%. Recentemente, a tecnologia foi aplicada em uma fazenda no interior paulista e prevê a semeadura de mais 1,9 mil hectares.
No cenário internacional, o agronegócio acompanha as negociações finais do acordo entre União Europeia e Mercosul, que devem ser concluídas na cúpula do bloco nesta sexta-feira. O Brasil busca incluir mecanismos que reequilibrem o pacto em caso de mudanças nas regras comerciais entre os blocos.
Por fim, o mercado de carnes enfrenta desafios de imagem. Segundo Gian Di Gregorio, da consultoria Alvarez & Marsal, a crise entre frigoríficos e o Carrefour afetou a percepção do grupo no Mercosul, especialmente no Brasil e na Argentina. “Embora os impactos econômicos sejam limitados, o episódio pode trazer dificuldades relacionadas à reputação da empresa”, avalia.
Com um cenário repleto de oportunidades e desafios, o agronegócio brasileiro reafirma sua importância estratégica para o país e o mundo, consolidando-se como protagonista em inovação, sustentabilidade e competitividade global.
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