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Por Marcelo Gomes

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Cemig segue para seus momentos finais. Antes da conclusão dos trabalhos, os parlamentares irão ouvir o depoimento de mais três pessoas. A primeira delas, a gerente do departamento de compras da companhia, Ivna de Sá Machado, foi ouvida na tarde de quarta-feira (09/2).

Entre as indagações realizadas, a principal tratou de possíveis conflitos de interesse. Ivna é responsável pela área de aquisições de materiais e serviços de terceiros que a Cemig necessita. Por exemplo, contratações de novos equipamentos, serviços de transmissão de energia, entre outros.

Recentemente, os deputados averiguaram que Ivna é casada com um dos proprietários da TRZS Energia Participações Limitada. Outro proprietário dessa empresa é Evandro Negrão de Lima Junior, um dos dirigentes do partido Novo. O primeiro estranhamento reside aí. Afinal, supondo que a TRZS queira prestar algum serviço à Cemig, a compra seria analisada por alguém indiretamente vinculado a ela.

Outro ponto também causou estranhamento. Recentemente, a Cemig realizou uma série de demissões de pessoas que estejam em conflitos de interesses, como é o caso de Ivna. A companhia de energia, porém, manteve a profissional no cargo. “A senhora saberia dizer por quê? Por que somente a senhora ficou no cargo. Foi por confiança…?”, questionou o deputado Sávio Souza Cruz (MDB).

Durante o depoimento de menos de uma hora, o deputado Professor Cleiton (PSB) indagou sobre contratações, em princípio, nada legais ocorridas. Ele citou o fato de uma consultoria ter sido contratada para agilizar e fiscalizar as obras empreendidas pela Cemig. “Mas é estranho que a Cemig tenha 7.500 obras paralisadas. Essa consultoria contratada está fazendo seu papel? A contratação dela foi uma boa opção?”, indagou o parlamentar. O esclarecimento de contratações supostamente ilegais é um dos objetivos da CPI. Ivna já esteve na ALMG para prestar informações. Nesta quarta, ela retornou porque os deputados avaliaram seu primeiro depoimento como insuficiente.

Ainda sobre Ivna, os parlamentares a questionaram a respeito da contratação de seu advogado. A gerência coordenada por ela publicou em 20/01/2022, no Diário Oficial do Estado, a contratação do escritório MARCELO E SÉRGIO LEONARDO SOCIEDADE DE ADVOGADOS no valor de R$ 1.250.000,00. A publicação diz que o escritório foi contratado para a “prestação de serviços especializados de advocacia para a defesa dos interesses dos administradores e colaboradores da CEMIG em todas as fases da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais”. Ou seja, a Cemig poderia estar pagando pela defesa de seus funcionários. Para os deputados, pode haver, nesse ínterim, a ingerência da empresa nos depoimentos de funcionários convocados pela CPI.

Como o Novojornal já noticiou, a CPI da Cemig pretende averiguar uma série de supostas irregularidades na empresa. As principais elencamos em matéria anterior. A meta é finalizar os trabalhos antes do carnaval. Até lá, existe outro ponto que falta ser esclarecido: a relação do partido Novo com condutas suspeitas da Cemig.

Entre o fim de 2019 e início de 2020, o governador Zema indicou Reynaldo Passanezi para o cargo de presidente da Cemig. A escolha passou por uma espécie de exame, feito pela Exec. Essa é uma empresa que seleciona profissionais para cargos no mercado financeiro. Ela respaldou a efetivação de Passanezi.

A contratação da Exec pela Cemig para fazer esse exame ocorreu em fevereiro de 2020, um mês depois de Reynaldo ser nomeado para a função. Para os deputados, em outras palavras, o presidente da Cemig “contratou” a empresa que o selecionou. Além disso, a Exec recebeu da Cemig para fazer o processo R$ 170 mil. Segundo os deputados, isso tudo teria ocorrido graças à intervenção do partido Novo. Mas não há nada que ateste isso.

Posição de Ivna

A funcionária da Cemig respondeu a todas as perguntas dos parlamentares. Mas, de forma vazia. Em algumas ela era direta, em outras não. Ivna preferiu responder do que usar seu direito de manter-se calada. Sobre os conflitos de interesse com a empresa de seu esposo, ela disse que não conhece Evandro. A respeito das demissões por tais conflitos, ela tergiversou.

É importante salientar que Ivna não é acusada de nada. Apenas pairam suspeitas (e fortes) sobre ela e outros profissionais da companhia de energia. Só quem pode dizer se ela é ou não acusada são as autoridades judiciais, como o Ministério Público (MP).

Nesta quinta-feira (10/02), está marcado o depoimento de Evandro Júnior.


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