A desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da disputa pela Presidência da República passou a ser vista por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma oportunidade para ampliar espaço entre eleitores de centro. Com a saída do governador da corrida nacional, o cenário tende a se concentrar em uma disputa mais polarizada, especialmente diante do crescimento do senador Flávio Bolsonaro.
No entorno do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o novo quadro eleitoral no Paraná pode gerar impactos indiretos na disputa nacional. Isso porque a tendência é de que Ratinho Júnior passe a concentrar esforços na sucessão estadual, enfrentando o avanço político de aliados de Flávio Bolsonaro no estado.
Na semana passada, Flávio anunciou apoio à candidatura de Sérgio Moro no Paraná e indicou sua filiação ao Partido Liberal. O movimento alterou o cenário local, ao colocar Moro como principal adversário do grupo político ligado ao atual governador. Entre os nomes cotados para representar o campo governista estão o secretário das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi.
Aliados de Lula avaliam que, diante desse cenário, Ratinho Júnior terá de se engajar diretamente na disputa estadual para garantir a eleição de um sucessor. Esse embate, segundo a leitura de governistas, pode enfraquecer a influência de Flávio Bolsonaro em um dos estados mais alinhados ao bolsonarismo.
Historicamente, o Paraná apresenta forte inclinação ao campo conservador. Na eleição presidencial de 2022, Lula obteve cerca de 37% dos votos no segundo turno, enquanto Jair Bolsonaro alcançou 62%. Mesmo assim, o Partido dos Trabalhadores trabalha com a estratégia de reduzir a diferença no estado e ampliar sua base eleitoral.
No governo federal, há dúvidas sobre o grau de enfrentamento que Ratinho Júnior adotará contra Flávio Bolsonaro no plano local. Ainda assim, a avaliação predominante é de que o futuro político do governador dependerá diretamente do desempenho de seu grupo na eleição estadual.
A desistência da candidatura presidencial também altera o cenário interno do PSD. Entre aliados de Lula, há a percepção de que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pode assumir o protagonismo como nome do partido na disputa nacional. Nesse caso, a expectativa é de uma campanha mais ideológica e voltada ao eleitorado de direita.
Por outro lado, integrantes do governo consideram que Ratinho Júnior teria maior capacidade de dialogar com o eleitorado de centro, segmento considerado estratégico para a campanha de reeleição de Lula.
Outro fator destacado é que a saída do governador paranaense evita uma possível convergência entre Ratinho e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Para aliados do presidente, o foco de Ratinho deverá permanecer no cenário local, especialmente diante do desafio de consolidar seu legado político no estado e enfrentar a candidatura de Sérgio Moro.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

