Quase um mês após o deslizamento de rejeitos na mina Turmalina, localizada no povoado de Casquilho, em Conceição do Pará, Minas Gerais, mais de 250 moradores seguem sem previsão de retorno às suas casas. O desastre, ocorrido no dia 7 de dezembro, foi seguido por um novo deslizamento quatro dias depois, intensificando a crise e forçando a evacuação completa da comunidade.
Desde o incidente, as famílias foram realocadas para hotéis e imóveis alugados pela Jaguar Mining, empresa responsável pela mina. Em nota divulgada no dia 3 de janeiro, a empresa afirmou que continuará prestando assistência às famílias pelo tempo necessário. No entanto, o acesso à comunidade de Casquilho de Cima permanece interditado por determinação do Comando Unificado de Operações, que trabalha em alternativas para permitir que os moradores recuperem, de forma segura, alguns de seus pertences.
As atividades da Jaguar Mining na região foram suspensas por ordem da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-MG) e da Agência Nacional de Mineração (ANM). Poucas horas após o deslizamento, a empresa instalou georradares para monitorar a área e iniciou obras emergenciais, como a construção de um dique de contenção e estruturas para reter sedimentos das águas pluviais.
Embora medidas tenham sido tomadas para conter os danos ambientais, o impacto humano do desastre é devastador. Muitos moradores relatam a perda de bens acumulados ao longo de uma vida inteira e, pior ainda, o sentimento de desarraigo. Marciana da Costa Dias, uma das pessoas afetadas, expressou sua dor ao lembrar do momento em que precisou abandonar sua casa às pressas. “Perdi tudo. Minha casa, meus móveis, 20 anos da minha vida. Só consegui salvar uma geladeira, um fogão e algumas roupas. Não vou mais ver as coisas que levei uma vida inteira para construir”, lamentou.
A situação é igualmente difícil para Zé Ricardo, pedreiro que viveu por mais de 50 anos na comunidade. “A gente perde tudo: os amigos, a rotina, o lar. Moro lá desde criança. Todo mundo conhece todo mundo, somos praticamente uma família. Não poder voltar é muito doloroso”, afirmou.
Além da perda material, o desastre provocou a fragmentação da comunidade de Casquilho. Muitos moradores foram realocados para cidades vizinhas, como Pitangui e Onça de Pitangui, ou para outros bairros. Esse afastamento abalou profundamente os laços sociais e culturais que sustentavam a vida na comunidade. “Casquilho, como era, não existe mais. Com ele se foram nossos sonhos e as conexões que davam sentido à nossa vida”, desabafou Zé.
Enquanto as autoridades investigam as causas do desastre e avaliam medidas de segurança, os moradores de Casquilho continuam vivendo em um estado de incerteza. Para eles, o retorno à normalidade parece cada vez mais distante, assim como a esperança de reconstruir a vida que perderam.
Foto: Bruno/Agência Combine

