O terceiro diálogo regional do Balanço Ético Global (BEG) foi realizado nesta segunda-feira, 1º de setembro, em Nova Déli, na Índia, reunindo lideranças de diferentes setores, governos e representantes da sociedade civil do continente asiático. A iniciativa busca ampliar a reflexão ética sobre ações climáticas e se insere nos preparativos para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá em Belém, no Brasil. O encontro foi conduzido pelo ativista indiano e Prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi.

Participaram 22 lideranças de áreas variadas, incluindo cientistas, mulheres, jovens e representantes com experiências locais. Segundo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, o objetivo foi valorizar a diversidade de vozes. “Ouvimos pessoas dos diferentes países da região, com recortes que têm cientistas, mulheres, juventudes, pessoas com experiências locais, e o que todos têm colocado é que esse é o momento de a gente olhar para a emergência climática com o compromisso de implementar os acordos que já fizemos”, destacou.

As discussões abrangeram compromissos assumidos internacionalmente, como triplicar a capacidade de energia renovável, duplicar a eficiência energética, eliminar gradualmente combustíveis fósseis, frear o desmatamento e enfrentar perdas e danos que atingem populações vulneráveis. Kailash Satyarthi reforçou a necessidade de ação imediata. “Nosso planeta está em chamas, e o tempo do ‘mais do mesmo’ acabou. Precisamos agir agora – mudando fundamentalmente nosso modo de vida, redefinindo o crescimento, interrompendo a injustiça climática e nos unindo em uma nova era de cooperação global”, afirmou.

De acordo com Marina Silva, os diálogos do BEG são marcados por transparência e abertura, permitindo discutir também o apoio a países ameaçados pela emergência climática. “O que nós esperamos com o balanço ético é que no lugar da realidade reportada pelos relatórios e gráficos que são importantes, a gente possa trazer a realidade real da vivência de quem está no território e está sofrendo, descobrindo e realizando”, explicou.

O diálogo asiático foi o terceiro de seis encontros regionais. O primeiro ocorreu em Londres, conduzido por Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e referência em justiça climática. O segundo foi realizado em Bogotá, na Colômbia, coliderado pela ex-presidente chilena Michelle Bachelet, envolvendo países da América do Sul, Central e Caribe. As próximas edições acontecerão na África, com liderança da ativista queniana Wanjira Mathai, e na América do Norte, sob coordenação de Karenna Gore, fundadora do Center for Earth Ethics.

Além dos diálogos regionais, a metodologia do BEG permite que governos locais e organizações da sociedade civil promovam debates autogestionados. O embaixador André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, ressaltou a importância desse formato. “Nas negociações internacionais, só os países falam. Mas, no fim das contas, o que importa são as pessoas”, disse.

Cada encontro produzirá um relatório regional, que servirá de base para a elaboração de um documento final a ser entregue como contribuição oficial às negociações da COP30. Para Marina Silva, a iniciativa já apresenta resultados significativos. “Temos recebido muitas, excelentes e potentes contribuições que estão sendo dadas pelo Balanço Ético Global, ouvindo as diferentes regiões”, concluiu.

Foto: Fernando Donasci/MMA

 


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