A desigualdade de renda voltou a crescer no Brasil em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelou que o rendimento médio mensal dos 10% mais ricos da população chegou a R$ 9.117 por pessoa, valor 13,8 vezes superior ao recebido pelos 40% mais pobres, cuja média ficou em R$ 663 mensais.
No ano anterior, essa diferença era de 13,2 vezes. Apesar da alta registrada em 2025, o índice ainda representa o segundo menor nível da série histórica iniciada em 2012.
Para elaborar o levantamento, o IBGE considerou todas as formas de renda das famílias brasileiras. Além dos salários, entram na conta aposentadorias, pensões, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguel e aplicações financeiras. O valor total da renda familiar foi dividido pelo número de moradores de cada residência.
Os dados mostram que a desigualdade no país continua elevada, embora tenha apresentado melhora em relação aos anos anteriores à pandemia da covid-19. Em 2019, por exemplo, os 10% mais ricos recebiam 16,9 vezes mais do que os 40% mais pobres. Em 2021, auge dos impactos econômicos da pandemia, a diferença chegou a 17 vezes.
Segundo o IBGE, o aumento observado entre 2024 e 2025 ocorreu porque os rendimentos dos mais ricos cresceram em ritmo maior que os das faixas de renda mais baixas. O grupo dos 10% mais ricos teve avanço de 8,7% nos ganhos, já descontada a inflação. Entre os 40% mais pobres, o crescimento foi de 4,7%.
Mesmo assim, no acumulado desde 2019, a renda das classes mais baixas apresentou evolução superior. Os 40% mais pobres tiveram aumento de 37,6% nos rendimentos ao longo dos últimos seis anos. Entre os 10% mais ricos, a alta foi de 11,9%.
Quando observada apenas a faixa dos 10% mais pobres, o avanço foi ainda maior. O rendimento médio desse grupo saltou de R$ 150 em 2019 para R$ 268 em 2025, crescimento de 78,7%.
O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes aponta que o mercado de trabalho e os programas sociais tiveram papel importante na redução da desigualdade nos últimos anos. Segundo ele, reajustes do salário mínimo e ampliação de benefícios sociais contribuíram para elevar a renda das famílias de menor poder aquisitivo.
A partir de 2020, durante a pandemia, o governo federal ampliou os programas de transferência de renda, incluindo o Bolsa Família, que passou por reformulações e recebeu nomes como Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil. O levantamento do IBGE também levou em consideração programas estaduais e municipais de assistência social.
Mesmo com avanços recentes, o instituto avalia que a desigualdade brasileira ainda permanece em níveis considerados elevados. A pesquisa também revela fortes diferenças regionais na distribuição de renda.
Enquanto a média dos 40% mais pobres do país ficou em R$ 663 mensais, na Região Sul o valor chegou a R$ 978 por pessoa. O Centro-Oeste registrou média de R$ 846, seguido do Sudeste, com R$ 842. Já Nordeste e Norte apresentaram rendimentos médios inferiores à média nacional, com R$ 449 e R$ 490, respectivamente.
Entre as unidades da Federação, o Distrito Federal apresentou a maior desigualdade do país. A renda dos 10% mais ricos foi 19,7 vezes superior à dos 40% mais pobres. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com diferença de 16,4 vezes, e Rio Grande do Norte, com 16,3 vezes.
São Paulo registrou relação de 11,9 vezes, ocupando a 12ª posição entre os estados menos desiguais. Mato Grosso e Santa Catarina apresentaram os menores índices de disparidade, com diferenças de 9,1 e 8,4 vezes, respectivamente.
Outro indicador utilizado para medir desigualdade é o Índice de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior a desigualdade. Em 2025, o índice brasileiro ficou em 0,511, acima dos 0,504 registrados no ano anterior.
Apesar da alta, o IBGE considera que o resultado ainda permanece próximo dos menores níveis da série histórica. Segundo Gustavo Fontes, o comportamento recente aponta estabilidade, com pequena oscilação em relação a 2024.
A pesquisa revelou ainda que o rendimento médio das famílias brasileiras atingiu recorde em 2025, com crescimento de 6,9%. O levantamento também mostrou que 22,7% dos domicílios brasileiros, o equivalente a 18 milhões de famílias, recebiam algum tipo de benefício social do governo federal, estadual ou municipal.
Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil

