A articulação de partidos de direita para impedir o avanço da proposta que extingue a escala seis por um ganhou novos contornos na última semana. Dirigentes de siglas como União Brasil, Partido Liberal e Republicanos passaram a defender abertamente estratégias para evitar que o projeto sequer chegue ao plenário da Câmara. A iniciativa prevê garantir a todo trabalhador dois dias de descanso por semana, alterando o modelo atual amplamente adotado em setores do comércio e de serviços.
O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, classificou a mobilização como um “desatino” e afirmou que a mudança seria prejudicial à economia e ao setor produtivo. Já o dirigente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, chamou a proposta de “bomba” e manifestou solidariedade a empresários que, segundo ele, já enfrentam elevada carga tributária.
Em jantar com empresários em São Paulo, os dois dirigentes afirmaram que atuarão para barrar a tramitação. Rueda declarou ser necessário “segurar essa votação”, enquanto Valdemar afirmou que o grupo trabalhará para que a matéria não seja votada. Ambos reconheceram que, caso o texto seja levado ao plenário, as chances de aprovação são altas.
Valdemar indicou que o debate na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara deverá ser intenso, sinalizando que a estratégia passa por dificultar o avanço do projeto ainda nas etapas iniciais. A CCJ será responsável por analisar a constitucionalidade da proposta antes que ela siga para outras fases de discussão.
Defensores do fim da escala seis por um argumentam que a mudança atende a uma demanda social legítima, sobretudo de trabalhadores que atuam como balconistas, caixas de supermercado, motoristas de ônibus, frentistas e auxiliares de limpeza. Para esses grupos, a ampliação do descanso semanal representa melhoria na qualidade de vida e maior convivência familiar.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que “ócio demais faz mal” e questionou como a população utilizaria o tempo livre adicional. A declaração gerou críticas de setores favoráveis à proposta.
Entidades patronais vêm alertando para possíveis impactos econômicos, incluindo aumento de custos e risco de demissões. No entanto, pesquisas de opinião indicam apoio relevante à mudança, o que pressiona parlamentares a se posicionarem.
Nos bastidores, lideranças da direita admitem que a melhor forma de impedir a aprovação é evitar que o texto entre em pauta. A mobilização empresarial, segundo relatos, deverá intensificar a pressão sobre deputados nas próximas semanas.
Foto: Divulgação/Grupo Esferahttps

