O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de alívio nesta segunda-feira (16), com queda significativa do dólar e recuperação da bolsa de valores. A moeda norte-americana recuou acompanhando o movimento observado no mercado internacional, em meio à redução das tensões geopolíticas e à queda no preço do petróleo.

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,23, com queda de R$ 0,085, equivalente a recuo de 1,6%. Durante a manhã, a cotação chegou a se aproximar de R$ 5,28, mas passou a cair ao longo da tarde até fechar próxima da mínima registrada no pregão.

Apesar da queda desta segunda-feira, a moeda norte-americana ainda acumula alta de 1,87% no mês de março. No acumulado de 2026, no entanto, o dólar apresenta desvalorização de 4,72% em relação ao real.

O recuo ocorreu após dois dias consecutivos de forte valorização da moeda, quando o dólar superou a marca de R$ 5,30 e alcançou o maior nível de fechamento desde janeiro.

Analistas apontam que a melhora do ambiente externo contribuiu para a valorização de moedas de países emergentes, incluindo o real. A redução da aversão ao risco no mercado internacional favoreceu a entrada de capital nesses mercados e impulsionou o desempenho das moedas.

No mercado de ações, o principal índice da bolsa brasileira também reagiu positivamente. O Ibovespa, índice de referência da B3, encerrou o pregão com alta de 1,25%, atingindo 179.875 pontos.

Durante a sessão, o indicador chegou a ultrapassar temporariamente a marca de 181 mil pontos, recuperando parte das perdas registradas nos dois pregões anteriores.

A melhora no humor dos investidores foi influenciada principalmente pela queda nos preços internacionais do petróleo. A commodity recuou após sinais de que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz poderá ser retomado gradualmente.

O estreito é considerado uma das rotas estratégicas mais importantes para o transporte global de petróleo. Aproximadamente 20% da oferta mundial da commodity passa pela região.

Com a expectativa de normalização da circulação de navios na área, investidores passaram a reduzir posições defensivas adotadas na semana anterior, quando havia temor de escalada do conflito no Oriente Médio.

O contrato do petróleo do tipo Brent para maio registrou queda de 2,84% no mercado internacional. Mesmo com a retração do dia, o barril permanece acima de US$ 100 e acumula valorização próxima de 40% no mês.

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para reduzir as tensões. Segundo ele, há expectativa de que o acesso ao Estreito de Ormuz seja restabelecido em breve.

Trump afirmou ainda que existem interlocutores no Irã dispostos a negociar soluções para reduzir o conflito na região, o que foi interpretado pelos mercados como sinal de possível diminuição das tensões geopolíticas.

No cenário doméstico, operadores do mercado também apontaram fatores internos que ajudaram a melhorar o ambiente financeiro.

Entre eles estão as intervenções realizadas pelo Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos. O órgão promoveu duas operações de recompra de papéis, medida que ampliou a liquidez no mercado e ajudou a reduzir pressões sobre a curva de juros.

Essas operações contribuíram para a queda das taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro, que registraram recuos superiores a 0,3 ponto percentual em alguns vencimentos.

Investidores também ajustam posições antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, prevista para quarta-feira (18).

A expectativa predominante no mercado é de redução mais moderada da taxa Selic, possivelmente de 0,25 ponto percentual. Caso se confirme, a taxa básica de juros passaria de 15% para 14,75% ao ano.

Parte dos analistas, porém, considera a possibilidade de manutenção da taxa atual, diante das pressões inflacionárias associadas à recente alta do petróleo.

Mesmo com eventual corte de juros, especialistas avaliam que o diferencial entre as taxas brasileiras e as praticadas em economias desenvolvidas continuará elevado.

Esse cenário tende a manter o real atrativo para investidores estrangeiros que buscam maior rentabilidade em aplicações financeiras nos mercados emergentes.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


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