O mercado financeiro brasileiro encerrou esta segunda-feira em clima de recuperação após a redução das tensões no Oriente Médio. O dólar voltou a fechar abaixo de R$ 5 depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou o adiamento de uma ofensiva militar contra o Irã para permitir o avanço de negociações diplomáticas. A sinalização reduziu a aversão ao risco nos mercados internacionais e favoreceu moedas de países emergentes ao longo da tarde.

O dólar comercial terminou o dia vendido a R$ 4,998, com queda de 1,34%. A moeda norte-americana iniciou a sessão acima de R$ 5,04, mas perdeu força nas horas finais do pregão após as declarações do presidente americano. Apesar do recuo desta segunda-feira, a divisa ainda acumula alta de 0,92% em maio. No acumulado de 2026, porém, registra desvalorização de 8,93%.

A bolsa de valores brasileira apresentou maior volatilidade durante o pregão. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, encerrou o dia aos 176.975,82 pontos, com leve recuo de 0,17%. Durante a tarde, o índice chegou a cair mais de 0,8%, mas reduziu perdas após a melhora do cenário externo e o alívio nas tensões internacionais.

Analistas avaliam que a possibilidade de uma escalada militar envolvendo Irã e Estados Unidos vinha pressionando os mercados globais por causa do impacto potencial sobre o petróleo, inflação e atividade econômica mundial. Com o adiamento da ofensiva, investidores passaram a buscar novamente ativos de maior risco, beneficiando moedas emergentes como o real brasileiro, o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano.

Além do cenário internacional, o mercado doméstico também foi influenciado pela perspectiva de manutenção dos juros elevados no Brasil. O boletim Focus do Banco Central do Brasil elevou a projeção da taxa Selic para 13,25% ao ano no fim de 2026, movimento que tende a aumentar a atratividade dos investimentos em renda fixa brasileira.

Dados mais fracos da atividade econômica ficaram em segundo plano. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, registrou queda de 0,7% em março na comparação mensal.

No mercado internacional de petróleo, os preços continuaram em alta mesmo após o alívio diplomático. O barril do tipo Brent fechou cotado a US$ 112,10, com avanço de 2,6%. Já o barril WTI, referência nos Estados Unidos, encerrou o dia a US$ 104,38, acumulando alta de 3,33%.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


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