O dólar encerrou a sexta-feira em queda e voltou ao menor patamar desde o início de dezembro, em um dia de alívio para o mercado financeiro. Após duas altas consecutivas, a moeda norte-americana perdeu força com a divulgação de dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, enquanto a bolsa brasileira conseguiu se recuperar e retomou o patamar dos 163 mil pontos.
O dólar comercial fechou vendido a R$ 5,365, com recuo de R$ 0,024, equivalente a queda de 0,44%. A cotação iniciou o dia praticamente estável, mas passou a cair após a divulgação dos números de emprego nos Estados Unidos. Na mínima do pregão, por volta das 14h, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,35.
Com esse resultado, o dólar atingiu o menor nível desde 4 de dezembro, quando foi vendido a R$ 5,31. Em janeiro, a divisa acumula queda de 2,24%, após ter subido 2,89% no mês anterior. No acumulado de 2025, a moeda norte-americana registra desvalorização de 11,18% frente ao real.
No mercado acionário, o pregão foi marcado por recuperação parcial das perdas recentes. Depois de recuar 1,03% na quinta-feira, o Ibovespa fechou esta sexta-feira aos 163.370 pontos, com alta de 0,27%. Ao longo do dia, o índice chegou a subir 0,81%, mas perdeu fôlego durante a tarde.
No balanço semanal, a bolsa brasileira avançou 1,76% e, em 2026, acumula valorização de 1,39%. O movimento refletiu tanto fatores externos quanto internos que influenciaram o humor dos investidores.
No cenário internacional, a criação de apenas 50 mil empregos nos Estados Unidos em dezembro ficou abaixo das expectativas do mercado. O dado aumentou a percepção de que o banco central norte-americano pode iniciar um ciclo de cortes de juros no começo de 2026. Juros mais baixos em economias avançadas tendem a estimular a migração de recursos para mercados emergentes.
Além disso, o real também foi beneficiado pela alta de cerca de 2% nos preços do petróleo no mercado internacional, fator que favorece países exportadores de commodities.
No cenário doméstico, os dados da inflação oficial ajudaram a conter pressões sobre o câmbio. Embora o IPCA tenha encerrado 2025 em 4,26%, os preços de serviços seguem pressionados, o que reforça a expectativa de que o Banco Central do Brasil só comece a reduzir os juros na reunião de março.
Juros elevados no Brasil atraem capital estrangeiro para aplicações financeiras, fortalecendo o real, mas ao mesmo tempo limitam o desempenho da bolsa ao estimular investimentos em renda fixa.
Foto: Campanato/Agência Brasil

